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Viviane Soares
Revisto por Viviane Soares
Viviane Soares

Viviane Soares é redatora e editora, com mais de três anos de experiência na escrita de artigos de finanças pessoais. No Portal do Crédito, tem como principal objetivo disponibilizar a melhor informação sobre financiamento, de forma prática e acessível.

Quer pedir ao banco período de carência? Saiba como funciona

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São muitos os portugueses que, perante o risco de incumprimento das prestações de crédito, optam por pedir ao banco um período de carência.

Esta solução também é muito requisitada por quem já tem prestações em atraso ou por quem precisa de capital imediato para, por exemplo, amortizar outras dívidas, criar uma almofada financeira ou mesmo para minimizar temporariamente os encargos com o empréstimo. Mas como funciona exatamente?

Como pedir ao banco um período de carência

Antes de mais, importa perceber que uma prestação de crédito compreende o pagamento de juros e a amortização de capital. Durante o período de carência, o titular da dívida contrata com a instituição de crédito um período durante o qual não há lugar a amortização de capital, mas apenas pagamento de juros.

Ou seja, ao pedir ao banco um período de carência, os titulares das dívidas só pagarão os juros relativos ao crédito, não amortizando as prestações mensais (capital). Este período decorre, por norma, entre 6 e 24 meses, embora, e dependendo da situação do titular, se possa prorrogar esse prazo.

Para solicitar o período de carência precisa apenas de contactar o seu banco e apresentar o seu caso. Antes disso, importa analisar se esse período de carência estava previsto na Ficha de Informação Normalizada (FINE) no momento de contratação do crédito.

Se não for o caso, poderá estar perante uma situação de alteração dos termos do contrato de empréstimo – o que, eventualmente, lhe trará alguns encargos.

Mesmo assim, converse com o seu gestor de conta para perceber, em detalhe, tudo o que este processo implica no seu caso particular, sobretudo se houver lugar à alteração de contrato, pois alguns bancos poderão subir o spread ou cobrar taxas elevadas como contrapartida das alterações ao contrato inicial. Informe-se devidamente sobre estas questões.

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Vantagens e as desvantagens de pedir ao banco período de carência

Se, por um lado, o período de carência é um mecanismo de apoio imediato para quem está a atravessar uma situação financeiramente difícil, por outro também tem as suas desvantagens. Isto porque, ao deixar de pagar as prestações mensais durante alguns meses, terá menos tempo para amortizar a prestação de crédito (custos totais).

Exemplo prático

Suponhamos que tem uma dívida de 100.000€ com um prazo de pagamento de 30 anos (360 meses) e uma taxa de juro de 4,5% (que perfaz 82.407€). Paga, nestes termos, uma prestação mensal de 507€ e precisa de pedir ao banco um período de carência de 12 meses.

No final deste período, no qual esteve a pagar apenas juros (375€ por mês), a sua prestação mensal subiria para cerca de 515€, tal como subiriam os juros aplicados a este valor.

Na prática, isto significa que quer a sua prestação mensal (findo o período de carência), quer os custos totais do empréstimo seriam mais elevados do que os valores inicialmente contratados.

Há alguma alternativa ao período de carência?

O período de carência é uma solução muito requisitada no crédito habitação. Porém, os bancos oferecem uma alternativa à carência de capital no crédito habitação a possibilidade de diferimento de capital. Esta solução permite ao titular da dívida deixar até 30% do valor contratado para pagar na última prestação do crédito.

Neste caso em particular, se por um lado as mensalidades vão ser mais baixas, por outro terá de garantir que, na última prestação, tem a quantia acordada (que é elevada) para proceder à liquidação do montante em falta.

Ao optar pelo diferimento de capital, o montante total do crédito será mais elevado, uma vez que durante o período do empréstimo, o mesmo vai ser pago de forma mais lenta.

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Qual a melhor opção: período de carência ou diferimento de capital?

Voltando ao exemplo dado anteriormente – para uma dívida de 100.000€ com um prazo de pagamento de 30 anos (360 meses) e uma taxa de juro de 4,5% -, na solução de diferimento de capital pagaria mensalmente 467€, sendo que na última prestação teria de reembolsar 30.467€. Neste caso, o montante de juros a pagar seria de 98.185€.

Portanto, entre a possibilidade de pedir ao banco período de carência ou o diferimento de capital, o nosso conselho é que analise muito bem qual destas alternativas mais se adequa às suas necessidades.

Ainda assim, e considerando que ambas têm as suas vantagens, parece-nos que na solução de diferimento de capital terá de ser bastante disciplinado para gerir as suas contas. Isto porque, neste caso, se exige que consiga fazer uma boa gestão da margem que poupa mensalmente (fazer dinheiro com este dinheiro).

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