Crédito

Transferir o crédito para outro banco: como e porquê

transferir o crédito para outro banco

Transferir o crédito para outro banco é um procedimento bastante comum nos dias que correm. Isto porque, nos últimos anos, as taxas de juro têm baixado significativamente.

As taxas Euribor andam muito perto de zero e, além disso, a banca tradicional voltou a conceder crédito habitação – depois de vários anos a restringir o crédito – e a apresentar condições mais favoráveis, sobretudo com spreads mais atrativos. Esta dinâmica de mercado poderá representar uma poupança de largas dezenas de euros todos os meses sem grande esforço.

Transferir o crédito para outro banco é, por todas estas razões, uma opção a ter em consideração, sobretudo se considera que está a pagar mais do que deveria à instituição bancária onde contraiu o empréstimo. Ainda assim, há questões que deve ter em consideração.

Cuidados a ter ao transferir o crédito para outro banco

Antes de transferir o crédito habitação deverá analisar detalhadamente as condições atuais do empréstimo que solicitou. Não nos referimos apenas ao spread, mas também a todos os produtos contratados, nomeadamente, e a título de exemplo, o seguro de vida, o seguro multirriscos ou outros produtos como cartões de crédito e afins. Além disso, pondere fazer o seguinte:

1. Avalie a oferta de mercado e faça simulações

Se, neste momento, tem um spread igual ou superior a 2%, gostará de saber que há bancos que estão a oferecer spreads de 1,25% e que suportam todos os custos da transferência. Dependendo do valor do empréstimo e dos prazos, poderá poupar muitos euros na prestação da casa.

Para se informar devidamente sobre as variações do spread e das taxas de juro entre instituições faça uma análise de mercado, recorrendo aos simuladores online.

O simulador do Portal do Crédito visa identificar a entidade com as melhores condições de crédito para si, de acordo com as suas necessidades e características do seu perfil. Tem acesso, em tempo real, às taxas de juro e condições das várias entidades de financiamento em Portugal.

2. Informe-se sobre os custos de transferência

Ainda que muitas instituições financeiras suportem todos os custos de transferência convém saber que as comissões a pagar não podem ser superiores a 0,5% do capital que é reembolsado nos contratos com taxa de juro variável e de 2% nos contratos com taxa de juro fixa.

De qualquer forma, sublinhamos, estas comissões são, atualmente, assumidas pela instituição bancária ou financeira para a qual vai transferir o crédito.

crédito habitação

3. E como se processa a transferência

Pode transferir o crédito para outro banco a qualquer momento da vigência do contrato. Convém, contudo, informar o seu banco atual, com pelo 10 dias úteis de antecedência, que pretende fazer essa transferência.

O processo burocrático propriamente dito é relativamente simples. Na prática, só terá mesmo de fazer uma nova escritura e mudar a domiciliação de pagamentos para um novo NIB.

Os procedimentos técnicos entre instituições também são simples. O banco onde foi contratado o crédito habitação deve fornecer ao novo banco, no prazo de 10 dias úteis, todas as informações necessárias para que possa fazer um novo empréstimo.

4. Prepare o processo de transferência com cautela

No que toca à redução do spread do crédito habitação, deverá ter em atenção a sua taxa de esforço (faça o cálculo na calculadora financeira do Portal do Crédito), a relação entre o empréstimo e a garantia oferecida, a estabilidade de rendimentos, as taxas de juro associadas ao novo empréstimo, sobretudo à TAER (Taxa Anual Efetiva Revista) – que reflecte o custo global do crédito habitação. Dito isto, o que tem mesmo de comparar entre bancos é, antes do spread, a TAE e a TAER, com o mesmo valor e prazo e Euribor.

Dicas importantes

Não se esqueça de ler bem todas as letras miudinhas do novo contratos que fizer. Só assine se concordar com tudo o que lá estiver expresso.

Recordamos, a este propósito, que quer aquando da simulação do empréstimo, quer aquando da comunicação da aprovação do contrato de crédito, deve-lhe ser disponibilizada a Ficha de Informação Normalizada. Este é um documento que tem, obrigatoriamente, de acompanhar qualquer proposta ou contrato de crédito.

Tem por objetivo garantir ao cliente o direito à informação, sendo por isso obrigatório que conste tudo sobre o produto bancário que está a ser solicitado (tal como refere o Decreto-Lei n.º 74-A/2017). Esta informação deve ser prestada de forma completa e transparente.

Artigos relacionados

[adinserter block="2"]
Viviane Soares
Viviane Soares é redatora e editora, com mais de três anos de experiência na escrita de artigos de finanças pessoais. No Portal do Crédito, tem como principal objetivo disponibilizar a melhor informação sobre financiamento, de forma prática e acessível.