O montante total de crédito habitação em Portugal atingiu um novo máximo histórico em abril de 2026. Segundo dados divulgados pelo Banco de Portugal (BdP), o valor em dívida nos empréstimos para compra de casa chegou aos 114,6 mil milhões de euros, refletindo o forte dinamismo do mercado residencial.
Face ao mesmo mês do ano anterior, o stock de crédito habitação aumentou 10,7%, registando a maior taxa de crescimento anual desde fevereiro de 2003. Só entre março e abril, o montante em dívida cresceu 1.021 milhões de euros.
Crédito habitação supera máximos registados antes da crise
Os dados do banco central mostram que este é o valor mais elevado desde o início da série estatística, que remonta a 1979.
O novo recorde supera inclusivamente os níveis observados no início de 2011, quando o crédito habitação também ultrapassava os 114 mil milhões de euros, num período marcado pelas consequências da crise financeira internacional iniciada em 2008.
A evolução recente confirma a forte recuperação do financiamento bancário à compra de casa, impulsionada pela procura residencial e pela valorização contínua dos imóveis.
Portugal entre os países com maior crescimento do crédito
No contexto europeu, Portugal apresenta atualmente a quarta maior taxa de crescimento anual do crédito habitação.
À frente surgem apenas Bulgária, com uma subida de 27,1%, Croácia, com 15%, e Lituânia, com 14,3%.
O crescimento português continua também bastante acima da média da Zona Euro, que se situava nos 2,9% em abril. Esta diferença mantém-se desde agosto de 2024.
Preços das casas e incentivos públicos ajudam a explicar subida
O aumento do crédito habitação está ligado à valorização do mercado imobiliário. Com os preços das casas a subir de forma expressiva, os compradores necessitam de montantes cada vez mais elevados para financiar a aquisição de habitação.
Ao mesmo tempo, as taxas de juro continuam num nível relativamente acessível, apesar da recente pressão exercida pela subida das Euribor e pelas expectativas de novos aumentos das taxas diretoras do Banco Central Europeu.
Também os apoios públicos à compra da primeira habitação têm contribuído para o crescimento do financiamento.
Entre as medidas mais relevantes encontram-se a garantia pública para jovens e a isenção de IMT na aquisição da primeira casa, incentivos que têm impulsionado a procura por habitação própria.
Banco de Portugal alerta para riscos do maior financiamento
A possibilidade de obter financiamento até 100% do valor do imóvel através da garantia pública tem permitido a muitos jovens avançar para a compra de casa sem necessidade de entrada inicial.
No entanto, o BdP tem alertado para os riscos associados ao aumento do endividamento das famílias, sobretudo num contexto de incerteza económica e potencial subida dos juros.
Para reforçar a prudência na concessão de crédito, o regulador decidiu reduzir o limite máximo recomendado para a taxa de esforço de 50% para 45%.
Indicadores como a taxa de esforço e o spread assumem uma importância crescente para avaliar a capacidade financeira das famílias e os custos associados ao financiamento bancário.
Construção e imobiliário aceleram recurso ao crédito
O aumento do financiamento não se limita às famílias.
Segundo o BdP, o crédito concedido ao setor da construção e das atividades imobiliárias continuou a acelerar em abril, registando uma taxa de crescimento anual de 12,1%, acima dos 11,6% observados em março.
Trata-se da taxa de crescimento mais elevada entre os principais setores de atividade económica analisados pelo banco central.
O desempenho do crédito habitação continua a refletir a forte procura por casa em Portugal, num mercado marcado pela escassez de oferta e pela valorização contínua dos imóveis.
Perante este cenário, comparar propostas de diferentes instituições bancárias ou intermediários de crédito tornou-se cada vez mais importante para encontrar condições de financiamento mais competitivas.