Os preços dos imóveis comerciais em Portugal registaram em 2025 a maior subida desde que há registo. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, o Índice de Preços das Propriedades Comerciais (IPPCom) avançou 10,1% no último ano, acelerando 5,4 pontos percentuais face a 2024.
Apesar da forte valorização, os imóveis comerciais continuam a subir menos do que o mercado residencial. No mesmo período, os preços das casas aumentaram 17,6%, reforçando a diferença entre os dois segmentos do imobiliário português.
O novo máximo do IPPCom reflete a resiliência do mercado imobiliário nacional, num contexto marcado por inflação elevada, custos de financiamento mais altos e manutenção da procura por ativos imobiliários.
Mercado comercial acelera, mas habitação continua a liderar
Segundo o INE, esta foi a maior subida anual dos imóveis comerciais desde o início da série estatística. Ainda assim, o crescimento ficou abaixo do registado na habitação, tendência que se tem repetido nos últimos anos.
O diferencial entre os dois índices voltou mesmo a aumentar. Em 2025, a diferença entre a valorização dos imóveis residenciais e comerciais atingiu 7,5 pontos percentuais, acima dos 4,4 pontos registados em 2024.
A valorização do mercado habitacional continua a ser impulsionada pela escassez de oferta, pelo aumento da procura e pelos incentivos à compra de habitação, sobretudo entre famílias mais jovens.
Ao mesmo tempo, o segmento comercial mantém-se sustentado pelo investimento empresarial, pela procura de espaços logísticos, escritórios e ativos ligados ao turismo e serviços.
Famílias reforçam peso nas compras de imóveis
Os dados do INE mostram também uma mudança relevante no perfil dos compradores de habitação em Portugal.
Em 2025, as famílias foram responsáveis por 148.632 transações de alojamentos, uma subida de 10,5% face ao ano anterior. Já os restantes setores institucionais reduziram as aquisições em 2,8%, totalizando 21.180 imóveis comprados.
Como resultado, o peso das compras realizadas por entidades que não famílias caiu para 12,5% do total das transações, o valor mais baixo desde o início da série estatística em 2019.
Em valor, as compras de habitação pelas famílias atingiram 35,7 mil milhões de euros, um crescimento expressivo de 24,4%. Já os restantes compradores movimentaram cerca de 5,4 mil milhões de euros, com um aumento mais moderado de 6,4%.
Crédito continua a influenciar decisões de compra
A evolução dos preços continua a acontecer num contexto de financiamento mais exigente para famílias e investidores. Apesar de algum alívio recente nas taxas Euribor, os bancos mantêm critérios rigorosos na análise do perfil financeiro dos clientes.
Com os preços das casas em máximos históricos, muitos compradores recorrem a soluções de reorganização financeira antes de avançar para aquisição de habitação.
Ao mesmo tempo, o mercado comercial continua mais dependente de investidores com maior capacidade financeira e acesso facilitado ao crédito empresarial.
Imobiliário mantém-se resiliente apesar da incerteza económica
Mesmo num cenário de inflação elevada, pressão sobre o custo de vida e desaceleração económica em várias economias europeias, o mercado imobiliário português continua a mostrar forte capacidade de valorização.
Os especialistas continuam, no entanto, a alertar para os desafios estruturais do setor, incluindo a escassez de oferta, os custos de construção e a dificuldade de acesso à habitação para famílias com rendimentos médios.
Enquanto o mercado residencial continua a ser pressionado pela procura interna e internacional, o segmento comercial mantém-se atrativo para investidores que procuram ativos com potencial de valorização e rendimento de longo prazo.
A evolução das taxas de juro, da inflação e das condições de financiamento deverá continuar a ser determinante para o comportamento do mercado imobiliário português ao longo de 2026.