O crédito à habitação voltou a acelerar em abril, com mais de 2.700 milhões de euros em novos contratos, enquanto os mercados europeus de crédito continuam a mostrar resiliência, apesar da instabilidade geopolítica e da volatilidade dos mercados.
A evolução confirma uma procura sólida por financiamento e um contexto ainda favorável para quem pretende comprar casa ou investir em dívida.
O mercado de crédito à habitação em Portugal registou, em abril de 2026, um total de 2.722 milhões de euros em novos contratos, o segundo valor mais elevado do ano, segundo o Barómetro Simplefy.
Excluindo renegociações, o crédito regular ultrapassou os 2.045 milhões de euros.
Os dados apontam para uma procura consistente por financiamento por parte das famílias, com as renegociações a representarem 24,87% do total.
A taxa média dos novos empréstimos subiu ligeiramente para 2,86%, acompanhando a evolução da Euribor a seis meses e refletindo um mercado que continua sensível às condições monetárias.
Taxa mista reforça liderança
A taxa mista voltou a ganhar peso e atingiu um novo máximo histórico, representando 84,5% dos novos contratos de crédito habitação.
Já a taxa variável recuou para 13,9%, enquanto a taxa fixa manteve uma expressão residual de apenas 1,6%, confirmando a preferência dos consumidores por soluções que conciliam estabilidade inicial e flexibilidade futura.
Esta tendência mostra também uma maior preocupação das famílias em proteger o orçamento mensal num cenário de juros ainda elevados.
Mercado imobiliário continua a valorizar
A avaliação bancária também voltou a atingir um máximo histórico em abril, fixando-se nos 2.174 euros por metro quadrado, mais 16,5% do que no mesmo mês de 2025.
Os apartamentos foram avaliados, em média, em 2.546 euros por metro quadrado, enquanto as moradias atingiram os 1.561 euros. No primeiro trimestre do ano realizaram-se ainda 37.745 transações, com o valor médio a subir para 262.839 euros, sinal de que a procura continua ativa apesar do encarecimento do acesso à habitação.
Economia mantém sinais positivos
Apesar da aceleração da inflação para 3,3% e da deterioração da confiança dos consumidores, o Produto Interno Bruto manteve um crescimento de 2,3% no primeiro trimestre.
Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego permaneceu estável nos 6,1%, contribuindo para sustentar a procura por crédito e a atividade no mercado imobiliário. Estes indicadores ajudam a explicar porque o financiamento à habitação continua a ser uma opção central para muitas famílias.
Crédito europeu resiste à instabilidade
Também no plano europeu, o mercado de crédito continua a demonstrar resiliência, apesar das recentes tensões geopolíticas e da volatilidade dos preços do petróleo.
Segundo Elisa Belgacem, Senior Credit Strategist da Generali Investments, os spreads das obrigações de grau de investimento mantêm-se próximos dos 75 pontos base.
Já o segmento high yield permanece em torno dos 270 pontos base, refletindo um apetite pelo risco que continua sólido e uma confiança ainda elevada na qualidade dos emitentes.
Investidores privilegiam rendimento
A especialista considera que o atual contexto continua favorável ao investimento em crédito, sobretudo pelo rendimento proporcionado pelas obrigações investment grade europeias, cuja yield ronda atualmente os 3,4%.
Ainda assim, alerta que os investidores estão mais seletivos e têm vindo a reforçar a exposição a segmentos com maior potencial de retorno, como o setor financeiro, a dívida subordinada e o mercado high yield.
Num ambiente de spreads comprimidos, a escolha dos ativos torna-se mais importante do que a simples exposição ao mercado.
Crédito continua no centro das decisões financeiras
A evolução do mercado mostra que o crédito habitação continua a desempenhar um papel central nas decisões financeiras das famílias, num contexto de preços elevados e procura resiliente.
Ao mesmo tempo, a estabilidade dos mercados europeus de crédito reforça a confiança dos investidores e contribui para manter condições de financiamento relativamente favoráveis, apesar da incerteza económica.
Para quem pondera comprar casa ou renegociar o empréstimo, o acompanhamento das taxas e das condições de mercado continua a ser decisivo.