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Rafaela Guerra
Escrito por

Licenciada em Contabilidade e Administração, sou especialista em gestão financeira e marketing. Procuro ajudar os leitores a acompanhar a atualidade e a melhorar a sua literacia financeira.

FMI revê crescimento de Portugal, mas melhora previsão para as contas públicas

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reviu em baixa a previsão de crescimento da economia portuguesa para 2026, antecipando agora uma expansão de 1,7%, menos 0,2 pontos percentuais do que estimava anteriormente.

Em contrapartida, melhorou a projeção para as contas públicas, deixando de prever um défice e apontando agora para um saldo orçamental de equilíbrio.

Na avaliação anual à economia portuguesa ao abrigo do Artigo IV, o FMI reconhece que o país continua a apresentar uma evolução económica sólida, mas alerta para os efeitos das tempestades registadas no início do ano e do conflito no Médio Oriente, que impulsionou os preços da energia.

O organismo defende ainda mudanças nas políticas de habitação e nas prestações sociais para reforçar a sustentabilidade das finanças públicas.

Crescimento económico revisto em baixa para 1,7%

O FMI prevê agora que o Produto Interno Bruto (PIB) português cresça 1,7% em 2026, abaixo dos 1,9% projetados anteriormente. Para 2027 e 2028, a instituição antecipa crescimentos de 1,7% e 1,6%, respetivamente, também inferiores às previsões anteriores.

Segundo o Fundo, a revisão resulta sobretudo do impacto das tempestades que afetaram o país no início do ano e do agravamento do contexto internacional provocado pela guerra no Médio Oriente, que originou um novo choque energético.

Ainda assim, considera que os investimentos financiados pelos fundos europeus, incluindo o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), deverão compensar parcialmente estes efeitos.

Com esta atualização, o FMI alinha-se com as previsões do Banco de Portugal, da OCDE e da Comissão Europeia para 2026, ficando abaixo da estimativa do Governo, que continua a apontar para um crescimento económico de 2%.

Contas públicas melhoram e dívida continua a descer

Apesar da revisão em baixa do crescimento económico, o Fundo melhorou a previsão para as finanças públicas. Em vez do défice de 0,1% do PIB anteriormente previsto, antecipa agora um saldo orçamental nulo em 2026.

Para 2027, mantém igualmente uma projeção de equilíbrio orçamental, substituindo a previsão anterior de um défice de 0,2% do PIB.

A dívida pública deverá continuar a diminuir nos próximos anos. O FMI estima que o rácio recue para 85,6% do PIB em 2026, baixando para 82,3% em 2027 e 79,2% em 2028, mantendo a trajetória descendente observada nos últimos anos.

a inflação deverá terminar 2026 nos 3,4%, valor revisto em alta em 0,3 pontos percentuais face às projeções anteriores. Em 2027, o organismo espera uma desaceleração para 2,3%, refletindo um alívio das pressões sobre os preços.

FMI pede mudanças na habitação e nos apoios sociais

Entre as recomendações dirigidas ao Governo, o FMI considera que as políticas públicas devem concentrar-se no aumento da oferta de habitação, defendendo o fim de algumas medidas de estímulo à procura.

A instituição identifica a garantia pública na compra de casa para jovens como um exemplo de apoio que poderá agravar os desequilíbrios existentes no mercado imobiliário, ao estimular a procura sem resolver a escassez de oferta.

Para quem pretende adquirir casa através de crédito habitação, o Fundo entende que o reforço da construção e da disponibilidade de imóveis terá um impacto mais duradouro na estabilização dos preços do que os incentivos dirigidos à compra.

O organismo recomenda ainda a revisão dos apoios fiscais aos combustíveis, defendendo que sejam substituídos por medidas mais direcionadas para famílias de menores rendimentos e empresas afetadas pelo aumento dos custos energéticos.

Pensões e prestações sociais também em análise

O FMI mostra-se favorável à intenção do Governo de concentrar vários apoios sociais numa Prestação Social Única, considerando que esta medida poderá simplificar o acesso às prestações, reforçar os incentivos ao trabalho e melhorar a proteção das pessoas em situação de maior vulnerabilidade.

Nas pensões, o organismo reconhece que Portugal tem reforçado a sustentabilidade do sistema nos últimos anos, mas considera que são necessários novos esforços para consolidar esse percurso, nomeadamente através do fortalecimento do Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social.

No conjunto, o FMI destaca a recuperação da economia portuguesa desde a pandemia e a melhoria das contas públicas, mas defende que a continuidade desse desempenho dependerá da capacidade de controlar os riscos externos, aumentar a oferta de habitação e assegurar a sustentabilidade das políticas sociais e das finanças públicas.