O mercado de escritórios nas duas maiores cidades portuguesas está a evoluir a ritmos bastante diferentes em 2026. Enquanto Lisboa continua a concentrar a maior fatia da ocupação de espaços por empresas, a atividade na capital perdeu dinamismo face ao ano passado.
Já o Porto registou um crescimento expressivo da procura, reforçando a sua posição como um dos mercados empresariais mais dinâmicos do país.
Nos primeiros cinco meses do ano, foram contratados 58.900 metros quadrados (m2) de escritórios em Lisboa e 14.400 m2 no Porto.
Apesar da diferença significativa entre os dois mercados, a evolução homóloga revela tendências opostas: Lisboa registou uma quebra de 12% face ao mesmo período de 2025, enquanto o Porto cresceu cerca de 86%.
Contexto económico condiciona decisões das empresas
A evolução do mercado de escritórios está a decorrer num contexto económico mais desafiante. O aumento das tensões geopolíticas internacionais, o regresso das pressões inflacionistas e a subida das taxas de juro do Banco Central Europeu têm contribuído para um ambiente de maior cautela entre as empresas.
A estagnação da economia portuguesa no primeiro trimestre de 2026 também está a influenciar as decisões de investimento, incluindo a contratação de novos espaços de trabalho.
Ainda assim, a atividade registada até maio mantém-se alinhada com os padrões históricos observados nos dois principais mercados nacionais.
Apesar das incertezas, os níveis de ocupação continuam a demonstrar resiliência, sobretudo tendo em conta o atual ciclo económico e financeiro.
Lisboa continua líder, mas perde ritmo
Entre janeiro e maio, Lisboa concentrou a maior atividade do mercado nacional de escritórios, com 66 operações realizadas e uma área média de 900 m2 por transação.
As empresas dos setores de Tecnologia, Media, Telecomunicações e Utilities (TMT & Utilities) lideraram a procura, sendo responsáveis por 37% da absorção total registada na capital.
Em termos geográficos, as chamadas Novas Zonas de Escritórios captaram 43% da atividade, consolidando-se como o principal polo de atração para empresas que procuram novos espaços.
Só durante o mês de maio foram concretizadas 13 operações, correspondentes a uma ocupação total de 10.400 m2. Todas as transações realizadas nesse mês ocorreram em regime de arrendamento e destinaram-se a ocupação imediata.
No último mês analisado, o segmento de Consultoria e Advocacia destacou-se como o mais ativo, representando 41% da absorção, enquanto as Novas Zonas de Escritórios mantiveram a liderança na procura, concentrando 46% da área contratada.
Porto regista forte crescimento da procura
Embora apresente um volume de ocupação inferior ao de Lisboa, o Porto foi o mercado que mais se destacou pela evolução da atividade.
Nos primeiros cinco meses de 2026, a cidade contabilizou 21 operações, com uma área média de 690 m2 por transação, alcançando um total de 14.400 m2 de escritórios ocupados.
As entidades ligadas ao setor do Estado, Europa e Associações lideraram a procura, sendo responsáveis por 43% da atividade registada na cidade.
Logo atrás surgem as empresas de TMT & Utilities, que representaram 37% da absorção total, demonstrando que a tecnologia continua a desempenhar um papel relevante na procura por espaços corporativos.
As Outras Zonas do Porto concentraram 43% da ocupação, enquanto a Zona Empresarial do Porto captou 31% da atividade registada até maio.
Perspetivas mantêm-se positivas para o resto do ano
Apesar do abrandamento observado em Lisboa e da maior prudência das empresas perante o atual contexto económico, os indicadores mostram que o mercado de escritórios continua a apresentar níveis de atividade consistentes.
O forte crescimento do Porto demonstra que existe procura empresarial por novos espaços, especialmente em zonas que oferecem boas acessibilidades, infraestruturas modernas e custos competitivos.
A evolução das taxas de juro e da inflação deverá continuar a influenciar as decisões de expansão das empresas nos próximos meses. Ainda assim, a manutenção de uma atividade sólida sugere que os mercados de escritórios das duas cidades poderão continuar a beneficiar da procura por espaços de qualidade e bem localizados.
Para investidores e empresas, acompanhar a evolução do mercado imobiliário comercial torna-se particularmente relevante numa fase em que os custos de financiamento e as condições de acesso ao crédito podem influenciar novas operações.
Tal como acontece no segmento residencial e no crédito habitação, a evolução dos juros continuará a ser um dos fatores mais determinantes para o investimento imobiliário ao longo de 2026.