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Rafaela Guerra
Escrito por Rafaela Guerra

Licenciada em Contabilidade e Administração, sou especialista em gestão financeira e marketing. Procuro ajudar os leitores a acompanhar a atualidade e a melhorar a sua literacia financeira.

Preços das casas em Portugal renovam máximos históricos após subida homóloga de 10,2%

Comprar casa em Portugal está mais caro do que nunca. Em maio, os preços das casas à venda subiram 10,2% face ao mesmo mês do ano passado, elevando o custo mediano da habitação para 3.142 euros por metro quadrado.

Trata-se de um novo máximo histórico e do sétimo recorde mensal consecutivo registado pelo índice de preços do idealista.

A valorização do mercado imobiliário continua a ser alimentada pelo desequilíbrio entre oferta e procura.

Apesar do aumento da construção e das medidas anunciadas pelo Governo para estimular a habitação, a escassez de casas disponíveis, sobretudo a preços acessíveis, continua a pressionar o valor dos imóveis em praticamente todo o território nacional.

Os dados mostram ainda que os preços das casas aumentaram 2,4% apenas nos últimos três meses, sinalizando que a procura por habitação mantém um ritmo elevado, mesmo num contexto em que o crédito habitação continua mais exigente do que há alguns anos.

Santarém, Portalegre e Beja lideram subida dos preços das casas

A valorização da habitação foi transversal a todas as capitais de distrito analisadas pelo idealista. No entanto, os maiores aumentos registaram-se em mercados tradicionalmente mais acessíveis, onde o interesse dos compradores tem vindo a crescer nos últimos anos.

Santarém liderou a subida dos preços das casas, com uma valorização anual de 30,9%, seguida de Portalegre (28,2%) e Beja (23,6%). Também Bragança, Coimbra e Viseu registaram aumentos superiores a 20%, refletindo uma crescente procura por alternativas às zonas metropolitanas de Lisboa e Porto.

Viana do Castelo, Castelo Branco e Leiria apresentaram igualmente valorizações expressivas, enquanto Faro reforçou a sua posição como um dos mercados mais dinâmicos do país, com os preços das casas a crescerem 15,3% num ano.

Nas maiores cidades, a subida foi mais moderada, mas continua significativa. Em Lisboa, os preços das casas aumentaram 7,1%, enquanto no Porto a valorização atingiu 7,8%. Apesar do ritmo mais contido, ambas continuam entre os mercados mais pressionados pela procura habitacional.

Lisboa continua a ser a cidade mais cara para comprar casa

A capital mantém-se destacada como a cidade mais cara do país para comprar habitação, com um preço mediano de 6.124 euros por metro quadrado.

Segue-se o Porto, onde comprar casa custa em média 4.064 euros por metro quadrado. Logo depois aparecem o Funchal (3.863 euros/m²), Faro (3.792 euros/m²) e Setúbal (3.108 euros/m²).

No grupo das cidades com preços intermédios surgem Aveiro, Évora, Coimbra, Ponta Delgada, Viana do Castelo e Braga, todas com valores acima dos 2.200 euros por metro quadrado.

os mercados mais acessíveis continuam localizados no interior. Castelo Branco apresenta o preço mais baixo entre as capitais de distrito analisadas, com 1.050 euros por metro quadrado, seguida de Portalegre (1.076 euros/m²) e Bragança (1.203 euros/m²).

Preços da habitação sobem em quase todos os distritos e ilhas

A tendência de valorização também se estende à análise por distritos e ilhas. Dos 25 mercados monitorizados, apenas a ilha do Faial registou uma descida dos preços das casas, com uma queda de 3,7%.

As maiores subidas ocorreram na ilha de Porto Santo, onde os preços dispararam 26,8%, e na ilha Terceira, com um aumento de 26,3%. Santarém surge novamente em destaque, com uma valorização de 25,6%, seguido por Coimbra, Castelo Branco e Portalegre.

Setúbal continua igualmente a consolidar-se como um dos mercados imobiliários mais procurados do país, registando uma subida anual de 16,3%.

No extremo oposto, Lisboa e Porto mantiveram aumentos abaixo dos dois dígitos, refletindo mercados mais maduros e com preços já bastante elevados.

Lisboa, Algarve e Madeira continuam a liderar os preços

A análise por território mostra que Lisboa continua a ser o distrito mais caro para comprar casa em Portugal, com um preço mediano de 4.709 euros por metro quadrado.

O Algarve surge na segunda posição, com 4.057 euros por metro quadrado, seguido pela Madeira e pela ilha de Porto Santo, ambos com valores próximos dos 3.650 euros por metro quadrado.

o Porto apresenta um custo mediano de 3.080 euros por metro quadrado, enquanto Setúbal consolida a sua aproximação aos mercados mais valorizados, com 3.328 euros por metro quadrado.

Entre os territórios mais acessíveis continuam a destacar-se Guarda, Bragança, Portalegre, Castelo Branco e Vila Real, todos com preços inferiores a 1.150 euros por metro quadrado.

Alentejo regista a maior valorização regional

Ao nível regional, foi o Alentejo que apresentou o maior crescimento dos preços da habitação nos últimos 12 meses.

Segundo o índice do idealista, os preços das casas aumentaram 19,9% nesta região, superando claramente o Centro, que registou uma subida de 15,4%, e os Açores, com uma valorização de 12,7%.

O Algarve continua a apresentar um dos mercados mais caros do país e registou uma subida anual de 10,7%, enquanto a Área Metropolitana de Lisboa avançou 9,2%.

Já o Norte registou o crescimento mais moderado, embora os preços das casas continuem a aumentar, com uma valorização anual de 8,2%.

Oferta em Portugal continua a afetar os preços

Apesar das diferenças entre regiões, a tendência mantém-se clara: a falta de oferta habitacional continua a sustentar a subida dos preços das casas em praticamente todo o país, levando o mercado imobiliário português para novos máximos históricos.

Com os preços das casas a renovarem máximos históricos pelo sétimo mês consecutivo, o acesso à habitação continua a ser um dos principais desafios para as famílias.

A evolução da taxa de esforço e das condições de financiamento imobiliário deverá continuar a influenciar a procura, num mercado onde a escassez de oferta mantém forte pressão sobre os valores de venda.