O preço do petróleo registou uma forte subida após o agravamento das tensões entre os Estados Unidos e o Irão, reacendendo os receios de um novo aumento da inflação a nível global.
Ao mesmo tempo, os consumidores portugueses voltaram a sentir a pressão no orçamento familiar, com o cabaz alimentar da DECO PROteste a subir novamente na última semana.
A conjugação destes fatores reforça as preocupações quanto ao custo de vida, numa altura em que muitas famílias continuam a enfrentar prestações elevadas da casa, despesas essenciais mais caras e menor margem financeira.
Petróleo sobe mais de 8% após escalada militar
O barril de petróleo chegou a valorizar mais de 8%, alcançando máximos de duas semanas, na sequência dos novos ataques norte-americanos contra alvos iranianos, do fim do cessar-fogo entre os dois países e das novas sanções aplicadas ao petróleo do Irão.
No fecho de Wall Street, o Brent negociava próximo dos 78 dólares por barril, enquanto o crude WTI rondava os 73 dólares. Segundo vários analistas, a volatilidade deverá manter-se enquanto persistirem as tensões no Médio Oriente.
A redução das reservas norte-americanas de crude e os ataques a infraestruturas energéticas russas contribuíram igualmente para reforçar a pressão sobre o mercado, aumentando o receio de eventuais perturbações na oferta mundial.
O Estreito de Ormuz continua também no centro das atenções. A passagem marítima é responsável por uma parte significativa do comércio global de petróleo e qualquer interrupção poderá provocar novas subidas dos preços da energia.
Mercados antecipam maior pressão inflacionista
Especialistas alertam que uma escalada prolongada do conflito poderá voltar a alimentar a inflação, sobretudo através do aumento dos combustíveis, dos custos de transporte e da produção de bens.
Embora alguns analistas considerem que ainda será necessário um aumento mais significativo do preço do petróleo para provocar um impacto expressivo nos mercados financeiros, admitem que o atual contexto devolve um prémio de risco às matérias-primas energéticas.
As declarações do Presidente norte-americano Donald Trump, confirmando o fim do cessar-fogo com o Irão, vieram reforçar a perceção de que o conflito poderá prolongar-se, aumentando a incerteza dos investidores.
Cabaz alimentar volta a subir em Portugal
Ao mesmo tempo que os mercados energéticos enfrentam nova instabilidade, os consumidores portugueses voltaram a sentir aumentos nos preços dos bens essenciais.
Segundo a DECO PROteste, o cabaz alimentar composto por 63 produtos custa agora 256,71 euros, mais 3,08 euros do que na semana anterior, interrompendo a descida registada anteriormente.
Entre os maiores aumentos da última semana destacam-se os brócolos (+13%), o tomate chucha (+12%), a farinha para bolos (+9%) e a polpa de tomate (+9%).
Os dados mostram ainda que o mesmo cabaz custa mais 14,89 euros do que no início do ano, mais 16,59 euros face ao mesmo período do ano passado e cerca de 69 euros acima do valor registado em janeiro de 2022.
Entre os produtos que mais encareceram desde então encontram-se a carne de novilho para cozer, os ovos e a couve-coração, refletindo uma subida acumulada muito superior à inflação registada no mesmo período.
Famílias continuam pressionadas
A combinação entre energia mais cara e alimentação em alta aumenta a pressão sobre o orçamento das famílias, sobretudo numa fase em que muitas continuam a suportar prestações elevadas dos empréstimos e custos acrescidos com serviços essenciais.
Caso o aumento do petróleo se traduza numa nova subida da inflação, os bancos centrais poderão manter as taxas de juro elevadas durante mais tempo, atrasando uma redução do custo do dinheiro.
Neste contexto, quem tem um credit score mais baixo poderá enfrentar condições menos favoráveis no acesso a financiamento, com taxas mais altas ou maior dificuldade na aprovação de novos créditos.
Quem recorre a crédito pessoal ou cartões de crédito deverá acompanhar a evolução das taxas e comparar propostas antes de assumir novos encargos financeiros.
Já quem pretende avançar com um crédito consolidado pode beneficiar de uma análise cuidada das condições disponíveis no mercado.
A evolução dos preços da energia e da alimentação continuará, por isso, a ser um dos principais indicadores para perceber se o custo de vida voltará a agravar-se nos próximos meses e qual poderá ser o impacto nas finanças das famílias portuguesas.