Intermediação de Crédito
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Rafaela Guerra
Escrito por

Licenciada em Contabilidade e Administração, sou especialista em gestão financeira e marketing. Procuro ajudar os leitores a acompanhar a atualidade e a melhorar a sua literacia financeira.

Garantias públicas impulsionam crédito às empresas e reforçam financiamento das PME

Os empréstimos com garantia pública voltaram a ganhar peso no financiamento das empresas portuguesas, atingindo 4,1 mil milhões de euros no último ano, o valor mais elevado desde 2022.

Os dados mais recentes do Banco de Portugal mostram que este mecanismo deixou de ser uma resposta temporária às crises para assumir um papel cada vez mais estrutural no acesso ao crédito, sobretudo entre as pequenas e médias empresas (PME).

Em 2025, os novos empréstimos concedidos às empresas totalizaram 26,6 mil milhões de euros, o montante mais elevado registado pelo Banco de Portugal desde o início da série estatística, em 2015.

Deste valor, cerca de 4,1 mil milhões de euros beneficiaram de garantia pública, representando um aumento expressivo face aos 700 milhões registados no ano anterior.

Uma em cada cinco empresas recorreu à garantia pública

Entre março de 2025 e março de 2026, cerca de 76,9 mil empresas contrataram novos financiamentos bancários. Destas, aproximadamente 18,1 mil recorreram a linhas de crédito com garantia pública, o equivalente a cerca de uma em cada cinco empresas.

Os números confirmam que este instrumento continua particularmente direcionado para as PME. Nas pequenas empresas, os empréstimos com garantia pública representaram 32% do novo crédito contratado.

Nas médias empresas, esse peso foi de 23%, enquanto nas microempresas atingiu 11%. Já nas grandes empresas, a utilização deste mecanismo manteve-se reduzida.

Esta distribuição evidencia que as garantias públicas continuam a desempenhar um papel determinante no acesso ao financiamento por parte das empresas de menor dimensão, reduzindo o risco assumido pelas instituições financeiras.

Crédito mais barato graças às garantias públicas

Além de facilitar a aprovação dos financiamentos, a garantia pública permitiu reduzir o custo do crédito para as empresas.

Segundo o Banco de Portugal, a taxa de juro média dos empréstimos com garantia pública fixou-se nos 2,96%, abaixo dos 3,82% registados nos contratos sem este mecanismo de apoio.

A diferença de 0,86 pontos percentuais representa uma poupança relevante para empresas que procuram investir, reforçar a tesouraria ou expandir a atividade.

Num contexto de taxas de juro ainda elevadas, esta redução dos custos financeiros pode fazer diferença na capacidade de investimento e na sustentabilidade dos projetos empresariais.

Comércio e indústria lideram recurso ao financiamento garantido

Em termos absolutos, os setores do comércio, transportes, alojamento e restauração concentraram o maior volume de operações apoiadas por garantia pública, totalizando cerca de 2 mil milhões de euros.

Contudo, foi na indústria, eletricidade, gás e água que este instrumento assumiu maior relevância proporcional, representando cerca de 23,6% de todo o financiamento concedido ao setor.

Do ponto de vista geográfico, o Norte liderou em volume de operações, refletindo o peso do tecido industrial e exportador da região. Ainda assim, foi no Centro e no Oeste e Vale do Tejo que as garantias públicas tiveram maior importância relativa no financiamento das empresas.

Garantia pública ganha peso como instrumento estrutural

Os dados divulgados pelo Banco de Portugal mostram que a garantia pública deixou de estar exclusivamente associada a períodos de crise, tornando-se uma ferramenta permanente de apoio ao investimento empresarial.

A articulação entre o Banco Português de Fomento, as Sociedades de Garantia Mútua e a banca tem permitido reduzir o risco das operações e melhorar o acesso ao crédito em condições mais competitivas.

Para as empresas que pretendem investir ou reforçar a sua atividade, comparar diferentes soluções de crédito para empresas continua a ser essencial.

Além das linhas com garantia pública, existem alternativas de financiamento empresarial ajustadas às necessidades de investimento, inovação, internacionalização ou reforço de tesouraria, sendo importante avaliar as condições, taxas de juro e garantias exigidas antes de avançar com qualquer operação.

A crescente utilização deste instrumento confirma que as garantias públicas passaram a desempenhar um papel central na política económica, contribuindo para reforçar a competitividade das empresas portuguesas e facilitar o acesso ao financiamento num contexto financeiro cada vez mais exigente.