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Rafaela Guerra
Escrito por Rafaela Guerra

Licenciada em Contabilidade e Administração, sou especialista em gestão financeira e marketing. Procuro ajudar os leitores a acompanhar a atualidade e a melhorar a sua literacia financeira.

Desemprego em Portugal está alinhado com a Europa, mas mulheres e jovens continuam mais vulneráveis

O mercado de trabalho português continua a dar sinais de resiliência, com a taxa de desemprego a aproximar-se dos níveis médios da União Europeia.

No entanto, uma análise mais detalhada revela que nem todo o potencial disponível está a ser aproveitado, sobretudo entre mulheres e jovens, os grupos que continuam a enfrentar maiores dificuldades de integração laboral.

Dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que Portugal registou uma taxa de desemprego de 6% em 2025, exatamente em linha com a média da União Europeia.

Ainda assim, quando se considera a chamada subutilização do trabalho, um indicador mais abrangente que inclui desempregados, trabalhadores a tempo parcial que desejam trabalhar mais horas e pessoas disponíveis para trabalhar, mas fora do mercado laboral, a realidade torna-se mais complexa.

Taxa de subutilização do trabalho permanece acima dos 10%

Segundo o INE, a taxa de subutilização do trabalho atingiu 10,3% em Portugal durante 2025, abaixo da média europeia de 11,7%, mas ainda representativa de uma parte significativa da população em idade ativa cujo potencial não está totalmente aproveitado.

Este indicador agrega diferentes situações de fragilidade laboral. Além dos desempregados, inclui trabalhadores em regime de subemprego a tempo parcial, pessoas disponíveis para trabalhar, mas que não procuram emprego e indivíduos que procuram trabalho mas não podem iniciar funções de imediato.

Apesar de o valor ser inferior ao registado na União Europeia, os dados mostram que continuam a existir bolsas de subutilização relevantes no mercado laboral português.

Participação no mercado de trabalho aumentou nos últimos anos

A evolução da última década mostra uma melhoria significativa na utilização da força de trabalho. Em 2013, durante o período mais crítico da crise financeira, a taxa de desemprego atingiu 17,2%, enquanto a população ativa representava apenas 89% da população ativa alargada.

Em 2025, esse indicador aproximou-se dos 98%, refletindo uma maior participação da população no mercado de trabalho e uma redução expressiva do número de pessoas afastadas da atividade económica.

Ainda assim, o INE destaca que o subemprego a tempo parcial continua a representar 2,2% da população ativa alargada, enquanto os inativos disponíveis, mas que não procuram emprego correspondem a 1,7%. Já os inativos que procuram trabalho, mas não estão disponíveis representam 0,5%.

Ao mesmo tempo, a subida do custo da habitação e o impacto da inflação continuam a pressionar os rendimentos das famílias. Para muitos agregados, o recurso ao crédito pessoal tem sido uma solução para acomodar despesas inesperadas, apesar dos riscos associados ao aumento do endividamento.

Mulheres continuam a enfrentar maiores dificuldades

As diferenças entre homens e mulheres continuam a ser visíveis nos indicadores laborais.

Em Portugal, a taxa de desemprego feminina situou-se nos 6,4% em 2025, acima dos 5,5% registados entre os homens. A disparidade torna-se ainda mais evidente quando se analisa a subutilização do trabalho.

Segundo o INE, as mulheres apresentam taxas mais elevadas devido ao maior peso do trabalho a tempo parcial involuntário e a uma menor disponibilidade para trabalhar mais horas, frequentemente associada à responsabilidade pelos cuidados familiares e outras tarefas domésticas.

Esta realidade acompanha uma tendência observada em grande parte da União Europeia, onde a subutilização do trabalho é mais elevada entre a população feminina em 23 dos 27 Estados-membros.

Jovens registam os níveis mais elevados de subutilização

O grupo etário dos 15 aos 24 anos continua a ser o mais vulnerável no mercado de trabalho.

Em 2025, a taxa de subutilização do trabalho entre os jovens atingiu 30,8% em Portugal, superando a média europeia de 28,7%. Mais de metade deste valor está diretamente relacionada com situações de desemprego.

Os números mostram que, apesar da recuperação económica e da criação de emprego registada nos últimos anos, a entrada dos mais jovens no mercado laboral continua a enfrentar obstáculos significativos, seja pela dificuldade em encontrar o primeiro emprego, seja pela prevalência de vínculos mais precários.

Taxa de desemprego recuou para 5,7% em abril

Os dados mais recentes do Eurostat reforçam a trajetória de melhoria do mercado laboral português.

Em abril de 2026, a taxa de desemprego em Portugal recuou para 5,7%, abaixo dos 5,8% registados em março e dos 6,2% observados no mesmo mês do ano anterior.

No conjunto da Zona Euro, o desemprego manteve-se estável nos 6,3%, enquanto na União Europeia permaneceu nos 6%. Entre os países com taxas mais elevadas destacam-se a Finlândia (10,6%), Espanha (10,3%) e Grécia (9,5%).

Apesar da evolução positiva do desemprego, os indicadores de subutilização do trabalho mostram que a recuperação do mercado laboral continua a ser desigual.

Mulheres e jovens permanecem entre os grupos mais expostos a situações de fragilidade profissional, o que ajuda a explicar porque é que indicadores como a taxa de atividade e a população ativa continuam a ser fundamentais para avaliar a verdadeira capacidade de absorção do mercado de trabalho.

Taxa de desemprego não mostra toda a realidade do mercado laboral

A análise do INE sugere que olhar apenas para a taxa de desemprego já não é suficiente para compreender a realidade laboral.

al como acontece com a taxa de esforço no acesso à habitação, indicadores complementares ajudam a perceber melhor as dificuldades enfrentadas por diferentes grupos da população.

Indicadores como o subemprego e a subutilização do trabalho permitem identificar desafios que continuam a afetar determinados grupos da população, mesmo num contexto de melhoria do emprego em Portugal.