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Rafaela Guerra
Escrito por Rafaela Guerra

Licenciada em Contabilidade e Administração, sou especialista em gestão financeira e marketing. Procuro ajudar os leitores a acompanhar a atualidade e a melhorar a sua literacia financeira.

Inflação em Portugal acelera enquanto juros do crédito habitação dão sinais de alívio

Portugal registou em abril uma das maiores subidas mensais da inflação em toda a Zona Euro, num contexto marcado pela escalada dos preços da energia e pela instabilidade associada à guerra no Irão.

Ao mesmo tempo, os juros no crédito habitação deram um ligeiro sinal de alívio, embora as prestações continuem elevadas para muitas famílias.

Os dados divulgados pelo Eurostat e pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram um cenário económico contraditório: enquanto o custo de vida continua a pressionar os consumidores, o financiamento da casa começa a estabilizar após dois anos de forte subida das taxas Euribor.

Portugal teve a terceira maior subida mensal da inflação na Zona Euro

Segundo o Eurostat, a inflação mensal em Portugal avançou 1,9% em abril, um valor bastante acima da média de 1% registada na Zona Euro. Entre os países da moeda única, apenas Malta (3,4%) e Chipre (2,2%) registaram aumentos superiores.

A subida foi quase quatro vezes superior à observada na Alemanha, onde a inflação mensal ficou nos 0,5%, refletindo um impacto mais intenso do aumento, dos preços, da energia e dos combustíveis na economia portuguesa.

Em termos homólogos, a inflação em Portugal acelerou de 2,7% para 3,3%, acima da média de 3% da Zona Euro. Já na União Europeia, a taxa anual atingiu os 3,2%.

O Eurostat explica que os serviços continuam a ser o principal motor da inflação europeia, seguidos pela energia, alimentação e bens industriais. Ainda assim, o aumento dos custos energéticos continua a ter um peso significativo no orçamento das famílias portuguesas, sobretudo nos transportes e nas despesas do dia a dia.

A subida dos preços está também a pressionar a capacidade financeira de muitos consumidores, levando mais famílias a reverem despesas, utilizarem financiamento complementar ou procurarem soluções de reorganização financeira, como consolidação de encargos.

Energia e combustíveis continuam a pressionar o custo de vida

O impacto da energia continua a espalhar-se por vários setores da economia. O aumento dos combustíveis influencia diretamente os custos de transporte, distribuição e produção, acabando por chegar aos preços pagos pelos consumidores.

Mesmo excluindo energia e produtos alimentares, a inflação subjacente na Zona Euro acelerou para 2,2%, sinal de que a subida de preços já se disseminou por diferentes áreas da economia.

Este cenário continua a afetar o poder de compra das famílias numa altura em que muitas ainda lidam com prestações elevadas, utilização de cartão de crédito para despesas correntes e menor capacidade de poupança mensal.

Para quem tem empréstimos bancários, a evolução da inflação continua a ser acompanhada de perto, já que poderá influenciar as próximas decisões do Banco Central Europeu sobre taxas de juro.

Juros no crédito habitação recuam ligeiramente em abril

Apesar do contexto inflacionista, abril trouxe um pequeno alívio para quem tem empréstimo da casa.

Segundo o INE, a taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito habitação desceu ligeiramente para 3,077%, face aos 3,088% registados em março.

No segmento destinado à compra de habitação própria permanente, a taxa também recuou para 3,074%.

A prestação média da casa manteve-se praticamente estável nos 404 euros mensais, apenas mais dois euros do que no mês anterior. Ainda assim, o valor continua acima do registado há um ano.

Dos 404 euros pagos mensalmente, cerca de 197 euros correspondem apenas a juros, enquanto os restantes 207 euros dizem respeito à amortização do capital em dívida.

Já nos contratos celebrados mais recentemente, os encargos continuam bastante superiores. A prestação média dos novos empréstimos subiu para 702 euros mensais, refletindo o impacto acumulado das taxas Euribor nos últimos anos.

Famílias continuam sob pressão financeira

Apesar deste ligeiro recuo nos juros, o contexto financeiro continua exigente para muitas famílias portuguesas. O aumento dos preços da energia, alimentação e serviços continua a reduzir a margem disponível no orçamento mensal.

Ao mesmo tempo, os bancos mantêm critérios rigorosos na análise da capacidade financeira dos clientes, numa altura em que o Banco de Portugal continua atento ao crescimento do crédito habitação.

Neste cenário, muitos consumidores têm recorrido a ferramentas de planeamento financeiro, renegociação de empréstimos ou simulação de crédito pessoal para reorganizar despesas e recuperar margem financeira.

A evolução da inflação e das taxas de juro continuará a ser decisiva nos próximos meses, sobretudo para quem pretende comprar casa, transferir crédito habitação ou reduzir encargos bancários.