A maioria dos portugueses consegue colocar algum dinheiro de lado, mas continua a concentrar-se sobretudo em objetivos de curto prazo.
Segundo um estudo da BPI Vida e Pensões, 63,3% dos inquiridos afirmam poupar, mas a maior parte utiliza essa reserva para fazer face a despesas inesperadas, como reparações, saúde ou aumentos no custo de vida. Apenas 22,1% dos portugueses têm um PPR, o que mostra que a preparação financeira para a reforma ainda é limitada.
O estudo conclui que existe maior consciência sobre a importância de planear o futuro, mas a ação prática continua aquém dessa intenção. Embora 67,3% dos participantes considerem útil preparar o longo prazo, apenas cerca de metade diz fazê-lo regularmente.
Esta realidade ganha especial relevância num contexto em que muitas famílias ainda enfrentam encargos significativos com habitação, alimentação e financiamento. Entre prestações da casa, crédito pessoal e utilização de cartão de crédito, a margem disponível para poupar continua reduzida em muitos orçamentos.
Pequenas poupanças podem fazer diferença no futuro
O estudo mostra que começar cedo é mais importante do que investir grandes quantias. Uma poupança de 30 euros por mês, aplicada durante 40 anos com uma rentabilidade média de 5%, pode acumular cerca de 46 mil euros.
Para quem tem vários encargos financeiros, reorganizar o orçamento pode ser um passo importante. O crédito consolidado permite reunir diferentes empréstimos numa única prestação, potencialmente mais baixa, criando maior folga para reforçar a poupança.
Antes de assumir novos compromissos, é recomendável consultar o mapa de responsabilidades do Banco de Portugal, que apresenta todos os créditos em nome do consumidor.
Banco de Portugal aperta regras no crédito habitação
Ao mesmo tempo que incentiva a estabilidade financeira, o Banco de Portugal prepara-se para reduzir de 50% para 45% a taxa de esforço máxima no acesso ao crédito habitação.
A taxa de esforço representa a percentagem do rendimento mensal destinada ao pagamento de prestações. Com a nova regra, uma família com rendimento líquido de 2.000 euros deixará de poder suportar prestações até 1.000 euros, passando o limite para 900 euros.
Na prática, esta alteração poderá reduzir o montante que muitos compradores conseguem financiar e exigir maior capacidade financeira no momento da aprovação do empréstimo.
Jovens impulsionam o mercado de financiamento à compra de casa
Segundo o regulador, os contratos abrangidos pela garantia pública para jovens representaram 27,9% do número total de novos empréstimos e 31,7% do valor concedido no primeiro trimestre do ano.
O forte crescimento deste apoio levou o supervisor a reforçar as regras prudenciais, com o objetivo de evitar níveis excessivos de endividamento.
Além da taxa de esforço, o Banco de Portugal está também a analisar alterações aos prazos máximos dos contratos e às exceções que permitem aos bancos aprovar empréstimos fora dos limites recomendados.
Mais rendimento e melhor planeamento tornam-se decisivos
A combinação entre uma maior necessidade de poupança e regras mais exigentes no crédito habitação reforça a importância do planeamento financeiro.
Reduzir saldos em cartão de crédito, manter o crédito pessoal em dia e acompanhar o mapa de responsabilidades pode melhorar a avaliação feita pelos bancos.
Num contexto em que os portugueses continuam a poupar sobretudo para emergências, o desafio passa por equilibrar as necessidades do presente com a preparação do futuro. Seja para comprar casa, reforçar a reforma ou aumentar a estabilidade financeira, uma estratégia mais estruturada pode fazer toda a diferença ao longo do tempo.