O orçamento das famílias portuguesas continua sob pressão. Entre 2019 e 2025, o valor gasto anualmente em compras de supermercado aumentou 486 euros, enquanto a guerra no Irão está a elevar os custos da energia e poderá provocar novas subidas nos preços dos alimentos ao longo deste ano.
Segundo dados divulgados pela Centromarca, com base num painel da Worldpanel by Numerator, a despesa média das famílias em bens de grande consumo passou de 1.707 euros em 2019 para 2.193 euros em 2025.
Se for considerada a inflação acumulada no período, esse valor corresponderia a 2.625 euros, ou seja, mais 918 euros face a 2019.
Este aumento supera a evolução do salário bruto médio, que cresceu 418 euros no mesmo período, o que ajuda a explicar porque muitas famílias continuam a sentir perda de poder de compra.
Para quem já suporta encargos com crédito pessoal, prestação da casa ou pagamentos associados ao cartão de crédito, esta pressão adicional no orçamento pode dificultar a gestão das despesas correntes.
Famílias fazem compras mais frequentes e em menor quantidade
Perante o aumento do custo de vida, os consumidores estão a alterar os seus hábitos de consumo.
De acordo com a Centromarca, as famílias estão a visitar os supermercados com maior frequência, mas compram menos produtos em cada ida.
Esta estratégia permite controlar melhor os gastos e ajustar as decisões de compra em função do dinheiro disponível em cada momento.
A associação refere ainda que os consumidores continuam prudentes, apesar de alguns indicadores macroeconómicos terem melhorado e da inflação ter desacelerado.
As despesas essenciais, como habitação, energia, transportes e alimentação, continuam a absorver uma parte significativa do rendimento mensal.
Nestes casos, consultar o mapa de responsabilidades pode ajudar a ter uma visão clara de todos os encargos financeiros em curso.
Guerra no Irão poderá aumentar preços agrícolas em 8,5%
A instabilidade no Médio Oriente está a gerar novas pressões sobre os preços internacionais.
Segundo a Crédito y Caución, o preço médio dos principais produtos agrícolas poderá subir 8,5% em 2026 e mais 3,8% em 2027.
O principal fator é a valorização do petróleo e do gás natural, que afeta diretamente o custo dos fertilizantes, da produção agrícola, do armazenamento e do transporte.
Mesmo num cenário base, em que o conflito seja resolvido rapidamente, os efeitos económicos já se fazem sentir.
Caso o estreito de Ormuz permaneça bloqueado durante vários meses, o impacto poderá ser mais significativo e prolongado.
Energia e transportes pressionam custos em toda a cadeia alimentar
A subida dos combustíveis tem efeitos em praticamente todas as etapas da cadeia de abastecimento.
Desde a produção no campo até à distribuição nos supermercados, os custos energéticos influenciam o preço final dos alimentos.
No transporte marítimo, um aumento de 50% no preço dos combustíveis poderá traduzir-se em subidas entre 15% e 20% nos custos operacionais.
No transporte rodoviário, a combinação entre energia mais cara, escassez de trabalhadores e custos salariais elevados continua a reduzir as margens das empresas.
Este cenário pode refletir-se em novos aumentos de preços ao consumidor nos próximos meses.
Impacto pode agravar inflação e reduzir capacidade financeira das famílias
O aumento dos preços dos alimentos e da energia poderá reforçar a inflação e afetar o consumo privado.
Se os bancos centrais responderem com juros mais elevados, o custo do financiamento poderá aumentar, tornando soluções como o crédito consolidado mais procuradas por famílias que pretendem reorganizar os seus encargos.
Para quem já utiliza regularmente o cartão de crédito, ou mantém vários empréstimos em simultâneo, o esforço financeiro pode tornar-se mais difícil de suportar.
Embora o impacto dependa da duração do conflito, os dados indicam que o custo de vida continua a crescer mais rapidamente do que o rendimento disponível.
Num contexto de maior incerteza, controlar o endividamento e acompanhar a evolução das despesas essenciais torna-se ainda mais importante para preservar a estabilidade financeira.