Intermediação de Crédito
Voltar Voltar às Notícias
Rafaela Guerra
Escrito por Rafaela Guerra

Licenciada em Contabilidade e Administração, sou especialista em gestão financeira e marketing. Procuro ajudar os leitores a acompanhar a atualidade e a melhorar a sua literacia financeira.

Empresas antecipam subida de custos e preços na zona euro com impacto da guerra

As empresas da zona euro esperam um agravamento dos custos nos próximos meses, num contexto marcado pela guerra no Médio Oriente e pela instabilidade nos mercados internacionais. De acordo com um inquérito do Banco Central Europeu (BCE), os custos deverão subir 5,8%, enquanto os preços de venda deverão aumentar 3,5%.

Estes dados refletem uma deterioração das expectativas face ao final de 2025, sinalizando novas pressões inflacionistas e desafios acrescidos para a atividade económica.

Custos disparam com energia e contexto geopolítico

O inquérito, realizado junto de mais de 10 mil empresas entre fevereiro e abril, revela uma subida significativa face às previsões anteriores. No trimestre anterior, os custos deveriam crescer 3,6% e os preços 2,9%.

A escalada do conflito no Médio Oriente contribuiu para este agravamento, sobretudo através do impacto nos preços da energia e das matérias-primas.

Apesar disso, as expectativas salariais mantêm-se relativamente estáveis. As empresas antecipam aumentos de salários de 2,8%, ligeiramente abaixo dos valores registados no final de 2025.

Inflação mantém-se acima das previsões anteriores

As empresas da zona euro projetam uma inflação de cerca de 3% no próximo ano, acima das estimativas anteriores. Para horizontes de médio prazo, entre três e cinco anos, as expectativas mantêm-se igualmente nesse nível.

Este cenário indica que a inflação poderá permanecer elevada por mais tempo, condicionando tanto o consumo como o investimento.

Crédito mais caro pressiona empresas

O inquérito do BCE revela também um agravamento das condições de financiamento. Cerca de 26% das empresas indicaram que as taxas de juro dos empréstimos bancários aumentaram, mais do dobro face ao trimestre anterior.

Este aumento reflete-se no custo do crédito, incluindo componentes como o Spread, que influencia diretamente o valor final pago pelas empresas.

Além disso, 37% das empresas reportaram aumentos noutras despesas associadas ao financiamento, como comissões, enquanto 14% indicaram um reforço das exigências de garantias.

Acesso ao financiamento torna-se mais exigente

Embora as necessidades de financiamento se mantenham estáveis, as empresas indicam que a disponibilidade de crédito diminuiu ligeiramente no início do ano.

As perspetivas apontam para um possível agravamento desta tendência nos próximos meses, com condições mais restritivas no acesso a financiamento externo.

Para empresas que enfrentam este contexto de custos mais elevados e acesso ao financiamento mais exigente, pode tornar-se necessário recorrer a soluções específicas de crédito. Nestes casos, opções como um empréstimo para abrir empresa podem ajudar a garantir liquidez e viabilizar novos projetos, mesmo num cenário económico mais desafiante.

Pressão nos preços pode chegar aos consumidores

O aumento dos custos tende a refletir-se nos preços finais. A subida de 3,5% prevista nos preços de venda indica que parte dessa pressão será transferida para os consumidores.

Este efeito poderá agravar o custo de vida, sobretudo num contexto em que as famílias já enfrentam encargos elevados com habitação e financiamento.

Empresas ajustam estratégias num cenário incerto

Perante este enquadramento, as empresas poderão ajustar estratégias, seja através da revisão de preços, contenção de custos ou adiamento de investimentos.

A evolução dos custos, das taxas de juro e do acesso ao crédito será determinante para a atividade económica nos próximos meses.

Num cenário marcado por incerteza geopolítica, inflação persistente e financiamento mais caro, o equilíbrio financeiro das empresas dependerá da capacidade de adaptação a estas novas condições.