A descarbonização da logística em Portugal, especialmente na fase final das entregas, continua a enfrentar desafios estruturais e financeiros significativos. Apesar do potencial de poupança e redução de emissões, a adoção de soluções sustentáveis ainda é limitada.
Um estudo recente indica que a eletrificação das frotas empresariais na Europa poderá gerar poupanças acumuladas de 246 mil milhões de euros até 2030. Ainda assim, apenas uma pequena parte dessas frotas é elétrica, evidenciando o atraso na transição energética.
Infraestruturas limitadas dificultam eletrificação
Um dos principais entraves é a insuficiência de infraestruturas de carregamento, sobretudo no transporte pesado. Em Portugal, o número de veículos elétricos por ponto de carregamento continua elevado, o que limita a expansão desta tecnologia.
A este fator junta-se o elevado investimento necessário para renovar frotas e adaptar operações. Para suportar estes custos, algumas empresas recorrem a soluções como uma Linha de Crédito, o que pode atrasar decisões estratégicas, sobretudo em negócios com menor capacidade financeira.
“Última milha” tem impacto relevante nas emissões
A chamada “última milha”, correspondente à fase final da entrega de encomendas, tem um peso significativo nas emissões nacionais. Estima-se que represente até 4,5% do total em Portugal.
O crescimento do comércio eletrónico intensificou este impacto, aumentando o número de entregas e a pressão sobre o setor. Reduzir a pegada carbónica sem comprometer a eficiência tornou-se uma prioridade.
Inteligência artificial melhora eficiência
A digitalização tem assumido um papel central nesta transformação. A utilização de inteligência artificial permite otimizar rotas, reduzir distâncias percorridas e antecipar constrangimentos operacionais.
Estas soluções contribuem para maior eficiência energética e redução de custos, permitindo operações mais sustentáveis e eficazes.
Novos modelos de entrega ganham espaço
As entregas “out-of-home” estão a ganhar relevância como alternativa mais eficiente. Este modelo permite que os consumidores recolham encomendas em pontos específicos ou cacifos automáticos.
Ao consolidar entregas, é possível reduzir deslocações e emissões, contribuindo para um sistema logístico mais sustentável. Em vários países europeus, esta prática já está integrada nos hábitos de consumo.
Combustíveis alternativos ajudam na transição
Nos segmentos onde a eletrificação ainda não é viável, estão a ser adotadas soluções intermédias, como combustíveis alternativos.
Estas opções permitem reduzir emissões de forma gradual, funcionando como uma fase de transição enquanto a tecnologia e as infraestruturas evoluem.
Impactos económicos chegam às famílias
Os custos associados à transição energética podem ter efeitos indiretos no dia a dia das famílias. Se as empresas enfrentarem encargos mais elevados, estes poderão refletir-se nos preços de bens e serviços.
Num contexto de pressão financeira, algumas famílias recorrem ao Crédito ao Consumo para fazer face a despesas correntes. Por outro lado, ganhos de eficiência no setor poderão ajudar a estabilizar preços a médio prazo, com impacto indireto em encargos como o Crédito Habitação.
Transição exige esforço conjunto
A descarbonização da logística depende de uma ação coordenada entre empresas, políticas públicas e consumidores. A melhoria das infraestruturas, o incentivo ao investimento e a adaptação dos hábitos de consumo são fatores essenciais.
Sem uma abordagem integrada, o setor continuará a enfrentar dificuldades em cumprir metas ambientais, comprometendo o contributo para a redução global das emissões e para um crescimento mais sustentável.