O mercado imobiliário continua a refletir mudanças no comportamento dos portugueses, com um aumento da procura por casas fora do país. Ao mesmo tempo, o enquadramento fiscal em Portugal mantém-se exigente, obrigando a maior planeamento nas decisões relacionadas com crédito habitação e investimento imobiliário.
Dados recentes mostram que Portugal lidera o crescimento entre estrangeiros que compram habitação em Espanha. Em paralelo, a Autoridade Tributária reforça regras rígidas no tratamento das mais-valias, criando um contexto mais desafiante para quem vende e reinveste em imobiliário.
Portugueses lideram crescimento na compra de casas em Espanha
Os portugueses foram a nacionalidade que mais cresceu na compra de habitação em Espanha entre o primeiro semestre de 2024 e o mesmo período de 2025. O aumento foi de 15,9%, destacando-se face a outros países.
Apesar de britânicos e marroquinos continuarem a liderar em número total de operações, Portugal evidencia a maior evolução. Seguem-se nacionalidades como Venezuela, Colômbia e Itália, mas com crescimentos inferiores.
No total, os estrangeiros representam cerca de 18% das transações imobiliárias em Espanha. Este peso mostra a relevância do investimento internacional no mercado espanhol, que continua atrativo apesar de algumas oscilações.
Comprar casa em Espanha exige maior capacidade financeira
O acesso à habitação, em Espanha, também está mais exigente. Nas grandes cidades, estima-se que sejam necessários salários superiores a 4.000 euros mensais para adquirir casa.
Este cenário aproxima-se da realidade portuguesa, onde o aumento dos preços e das condições de financiamento tem dificultado o acesso à compra. A análise de fatores como taxa de esforço e condições associadas ao crédito habitação torna-se cada vez mais determinante.
Neste contexto, a decisão de investir fora pode estar associada à procura de oportunidades ou diversificação de património. Ainda assim, exige uma avaliação cuidada do perfil financeiro e da análise de risco do cliente antes de avançar.
Regras fiscais em Portugal mantêm-se rígidas nas mais valias
Enquanto alguns portugueses procuram alternativas no estrangeiro, o enquadramento fiscal nacional mantém regras exigentes. A Autoridade Tributária confirmou que o prazo para reinvestimento de mais-valias não pode ser alargado, mesmo em situações de atraso administrativo.
A lei estabelece que o reinvestimento deve ocorrer entre os 24 meses anteriores e os 36 meses posteriores à venda de um imóvel. Este prazo é considerado um requisito essencial para beneficiar da exclusão de tributação em IRS.
Num caso recente, um contribuinte vendeu uma casa em 2022 após adquirir um terreno em 2020. O objetivo era construir nova habitação, mas atrasos no licenciamento impediram o cumprimento do prazo legal.
Incumprimento do prazo implica perda de benefício fiscal
Perante esta situação, foi solicitado o prolongamento do prazo até 2027. A Autoridade Tributária recusou, indicando que não existe base legal para qualquer extensão.
A administração fiscal considera que o incumprimento leva à perda do benefício fiscal. Na prática, as mais-valias passam a ser tributadas em IRS, aumentando o impacto financeiro da operação.
Este tipo de situação reforça a importância de cumprir todos os requisitos legais associados ao investimento imobiliário. O não cumprimento pode traduzir-se num cenário próximo de incumprimento de crédito no sentido mais amplo da gestão financeira, caso o contribuinte não consiga acomodar o imposto adicional.
Planeamento financeiro é decisivo nas decisões imobiliárias
O atual contexto exige maior rigor no planeamento financeiro. A combinação entre preços elevados, exigência de financiamento e regras fiscais rígidas obriga a decisões mais ponderadas.
A procura por casas em Espanha mostra uma maior abertura a novos mercados. No entanto, tanto no mercado nacional como internacional, fatores como condições de financiamento, prazos legais e capacidade de pagamento devem ser cuidadosamente avaliados.
Assim, informação, antecipação e acompanhamento adequado são fundamentais para garantir decisões mais seguras. Num mercado cada vez mais exigente, o equilíbrio entre oportunidade e prudência torna-se essencial para os investidores e famílias.