As famílias a viver em Portugal estão a recorrer cada vez mais a financiamento fora do país, numa tendência que tem vindo a ganhar expressão ao longo dos últimos anos. Ao mesmo tempo, o mercado imobiliário nacional continua a atrair atenção internacional, apesar de uma quebra nas compras por parte de estrangeiros.
Segundo dados do Banco de Portugal, o montante de empréstimos contraídos por residentes junto de instituições estrangeiras atingiu 4,3 mil milhões de euros em janeiro de 2026. Este valor representa um crescimento muito significativo face aos cerca de 622 milhões registados em 2010.
Crescimento do crédito no estrangeiro ainda tem peso reduzido
Apesar da evolução expressiva, este tipo de financiamento representa apenas uma pequena fatia do total de crédito das famílias, equivalente a cerca de 2,6% dos 165,6 mil milhões de euros em empréstimos existentes.
Grande parte destes contratos corresponde a operações de longo prazo, frequentemente associadas a soluções como o Crédito Habitação ou até Crédito Pessoal, embora o regulador não detalhe a finalidade concreta dos financiamentos.
Este aumento pode estar ligado à maior presença de bancos internacionais no mercado e à procura por condições mais competitivas, nomeadamente ao nível do Spread ou da TAEG, fatores que influenciam diretamente o custo total do empréstimo.
Comparar condições é essencial para decisões financeiras
Num contexto de maior diversidade de oferta, torna-se essencial avaliar cuidadosamente propostas de diferentes instituições. Elementos como a Taxa de Esforço ou o impacto de produtos associados, como um Seguro de Proteção ao Crédito, podem fazer diferença na sustentabilidade do financiamento.
Além disso, recorrer a um Intermediário de Crédito pode ajudar a identificar soluções mais ajustadas ao perfil financeiro de cada família, especialmente quando se equacionam propostas fora do sistema bancário nacional.
Importa também ter em conta indicadores como a TAN, que reflete o custo base do empréstimo, bem como o valor global a pagar ao longo do contrato. Uma análise completa permite evitar situações de Incumprimento de Crédito, sobretudo em cenários de maior instabilidade económica.
Procura internacional por casas mantém-se elevada
Em paralelo, o mercado imobiliário português continua a despertar interesse além-fronteiras. Apesar de o número de transações realizadas por estrangeiros ter caído cerca de 13% em 2025, a procura por casas a partir do exterior mantém-se relevante em várias cidades.
No primeiro trimestre de 2026, uma parte significativa das visitas a anúncios imobiliários teve origem fora de Portugal, com destaque para regiões como Funchal e Ponta Delgada, onde o peso internacional supera um quarto da procura total.
EUA e Reino Unido lideram interesse externo
Os Estados Unidos e o Reino Unido continuam a liderar o interesse internacional, sendo os principais países de origem das pesquisas em várias cidades portuguesas. Em locais como Lisboa e Porto, também se destacam visitantes de Espanha e França.
Este comportamento indica que, mesmo com alterações fiscais e legais recentes, Portugal continua a ser visto como um destino atrativo para investimento imobiliário e residência.
Menos compras, mas interesse mantém-se forte
A redução nas compras por estrangeiros está associada a mudanças nas políticas públicas, como o fim de alguns incentivos fiscais e alterações nos regimes de residência. Ainda assim, o elevado volume de pesquisas sugere que o interesse permanece, podendo traduzir-se em futuras transações.
No atual contexto económico e financeiro, o mercado português revela assim duas dinâmicas distintas.
Por um lado, famílias a explorar novas fontes de financiamento, incluindo no exterior. Por outro, investidores internacionais que continuam atentos às oportunidades no setor imobiliário nacional, mantendo a pressão sobre a procura habitacional.