A evolução recente do conflito no Médio Oriente continua a marcar o ritmo da economia global, com impactos diretos na inflação e no crescimento económico.
Enquanto o Banco Mundial alerta para um cenário de inflação mais elevada e crescimento mais lento, os mercados reagiram com alívio a sinais de desescalada, levando a uma forte queda nos preços do petróleo.
Esta combinação de incerteza geopolítica e volatilidade nos mercados energéticos reforça os riscos para economias desenvolvidas e emergentes, num contexto já marcado por desafios financeiros.
Banco Mundial antecipa inflação mais alta e crescimento mais fraco
O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, alertou que a guerra no Médio Oriente terá efeitos económicos globais, independentemente da sua evolução. Segundo o responsável, haverá inevitavelmente “um certo grau de inflação elevada e um certo grau de crescimento mais baixo”.
Os países emergentes deverão ser os mais afetados, devido a uma posição inicial mais frágil em termos de finanças públicas e endividamento. Ainda assim, Banga sublinhou que as economias desenvolvidas também sentirão o impacto.
A dependência de matérias-primas como petróleo, energia e fertilizantes agrava a exposição de várias regiões, nomeadamente na Ásia e em África, onde os custos de importação tendem a aumentar em períodos de instabilidade.
Previsões económicas já apontam para abrandamento
Antes mesmo do agravamento do conflito, o Banco Mundial já previa uma desaceleração da economia global. A instituição estima um crescimento de 2,6% em 2026, abaixo do registado em 2025, seguido de uma ligeira recuperação para 2,7% em 2027.
Este abrandamento deverá ser mais visível em economias como os Estados Unidos, a zona euro e o Japão, refletindo um contexto internacional mais desafiante.
Para responder aos impactos da guerra, foi criado um grupo conjunto entre o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a Agência Internacional de Energia, com o objetivo de avaliar os efeitos económicos e energéticos e coordenar medidas de apoio, incluindo potenciais necessidades de financiamento.
Petróleo afunda mais de 15% com sinais de desescalada
Apesar das preocupações económicas, os mercados energéticos reagiram positivamente a desenvolvimentos recentes no conflito. Os preços do petróleo caíram mais de 15%, descendo abaixo dos 100 dólares por barril.
O crude norte-americano WTI recuou para 95,55 dólares, enquanto o Brent do Mar do Norte caiu para 92,85 dólares, após sinais de abertura para negociações entre os Estados Unidos e o Irão.
Esta descida surge depois de semanas de forte subida, durante as quais o preço do petróleo chegou a aumentar cerca de 70% desde o início do conflito, no final de fevereiro.
Cessar-fogo temporário alivia pressão nos mercados
O alívio nos preços está associado à possibilidade de um cessar-fogo temporário de duas semanas e à reabertura do Estreito de Ormuz, uma rota essencial para o transporte de petróleo a nível global.
As autoridades iranianas indicaram disponibilidade para suspender operações militares, desde que cessem os ataques, abrindo espaço para negociações com mediação internacional.
A perspetiva de normalização do tráfego nesta região estratégica levou à redução do chamado “prémio de risco” que tinha impulsionado os preços nos dias anteriores.
Impacto na economia depende da evolução do conflito
Apesar da queda recente, analistas alertam que a estabilização dos preços dependerá da evolução concreta no terreno. A reabertura efetiva do Estreito de Ormuz será determinante para consolidar a descida.
Num cenário de instabilidade prolongada, os efeitos na inflação poderão persistir, influenciando decisões de política monetária. A evolução das taxas de juro será determinante, podendo também refletir-se no aumento do spread aplicado ao financiamento, agravando o custo do dinheiro e condicionando a atividade económica.
Os dados mostram que, embora os mercados reajam rapidamente a sinais positivos, a incerteza continua elevada, mantendo a economia global exposta a riscos significativos.