Os salários em Portugal continuam significativamente abaixo da média europeia, enquanto cresce a procura por financiamento, sobretudo no crédito habitação. Este duplo cenário reflete pressões económicas persistentes sobre as famílias, num contexto de aumento do custo de vida e acesso mais exigente ao crédito.
Dados recentes mostram que os rendimentos continuam a não acompanhar o ritmo dos encargos, o que ajuda a explicar o maior recurso a soluções de financiamento.
Salário médio permanece distante da média europeia
Em 2024, o salário médio em Portugal fixou-se nos 24.800 euros anuais, mantendo-se cerca de 38% abaixo da média da União Europeia, que ronda os 39.800 euros.
Apesar de um crescimento anual de 7%, o diferencial mantém-se elevado. Mesmo quando comparado com países economicamente semelhantes, Portugal apresenta um desfasamento de cerca de 6%.
Este cenário está fortemente ligado à estrutura do mercado de trabalho, ainda concentrado em setores de menor valor acrescentado e com remunerações mais baixas.
Estrutura económica condiciona rendimentos
O crescimento do emprego tem sido mais expressivo em áreas como o alojamento e restauração, que representam uma fatia relevante do mercado laboral, mas continuam a oferecer salários mais reduzidos.
Por outro lado, setores mais produtivos, como o tecnológico, têm registado crescimento significativo, mas ainda representam uma parcela menor do total do emprego.
Esta realidade limita a evolução global dos salários e dificulta a melhoria do poder de compra das famílias.
Procura por crédito habitação aumenta
Em paralelo, a procura por Crédito Habitação aumentou no início de 2026, segundo dados do Banco de Portugal. Este crescimento está associado a fatores como alterações na regulamentação e expectativas de continuação da subida dos preços das casas, ainda que a um ritmo mais moderado.
As famílias procuram antecipar decisões de compra, receando novas valorizações no mercado imobiliário.
Neste contexto, indicadores como a TAEG ganham relevância, já que refletem o custo total do crédito, incluindo juros, comissões e outros encargos associados ao financiamento.
Bancos tornam critérios mais exigentes
Apesar do aumento da procura, os bancos têm vindo a adotar critérios ligeiramente mais restritivos, sobretudo em empréstimos de longo prazo e para pequenas e médias empresas.
Verifica-se também um ligeiro aumento do spread nos empréstimos considerados de maior risco, o que encarece o custo total do financiamento.
Para os particulares, as condições mantêm-se relativamente estáveis, mas com sinais de maior prudência por parte das instituições financeiras.
Num cenário de maior pressão financeira, muitas famílias optam por renegociar crédito habitação como forma de reduzir encargos mensais. Esta solução pode permitir ajustar prazos, spreads ou condições do contrato, ajudando a equilibrar o orçamento familiar.
Pressão financeira desafia famílias
A combinação de salários mais baixos e maior recurso ao crédito coloca pressão adicional sobre o orçamento das famílias. A Taxa de Esforço, que mede o peso das prestações no rendimento mensal, tende a aumentar neste contexto.
Com rendimentos limitados e encargos elevados, muitas famílias enfrentam maior dificuldade em equilibrar despesas essenciais com compromissos financeiros.
Além disso, acompanhar o mapa de responsabilidades torna-se essencial para quem tem vários créditos. Este documento permite ter uma visão global dos encargos financeiros e ajuda a tomar decisões mais informadas sobre novos financiamentos.
Neste contexto, o apoio de um intermediário de crédito pode ser determinante. Estes profissionais ajudam a comparar propostas entre diferentes bancos e a encontrar soluções mais ajustadas ao perfil financeiro de cada cliente.
Perspetivas dependem da evolução económica
A evolução dos salários e das condições de crédito será determinante para o equilíbrio financeiro das famílias nos próximos meses.
O reforço de setores mais produtivos e melhor remunerados surge como um fator essencial para aproximar Portugal dos níveis europeus.
Ao mesmo tempo, a estabilidade no acesso ao crédito e a evolução dos preços da habitação continuarão a influenciar diretamente o comportamento das famílias e o dinamismo do mercado.