A remuneração bruta mensal média por trabalhador em Portugal aumentou para 1.611 euros no primeiro trimestre de 2026, o que representa uma subida de 5,0% face ao mesmo período do ano anterior.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), este crescimento permitiu um aumento real de 2,7%, já descontando o impacto da inflação.
A componente regular da remuneração atingiu 1.428 euros, enquanto o salário base médio se fixou em 1.335 euros. Os dados abrangem cerca de 4,8 milhões de postos de trabalho, mais 1,9% do que no primeiro trimestre de 2025.
Por conseguinte, os rendimentos continuam a crescer em termos nominais e reais, embora a evolução do custo de vida mantenha pressão sobre o orçamento das famílias.
Agricultura e alta tecnologia lideram aumentos salariais
A evolução dos salários foi relativamente transversal à economia, mas alguns setores destacaram-se.
As atividades de agricultura, floresta e pesca registaram a maior subida, com um crescimento de 10,0%. Já as empresas com 10 a 19 trabalhadores apresentaram um aumento médio de 6,0%.
No setor privado, os salários subiram 5,3%, enquanto as empresas de alta tecnologia industrial registaram um avanço de 7,2%.
Além disso, o reforço do rendimento pode melhorar a capacidade financeira de muitos trabalhadores, reduzindo a necessidade de recorrer a cartão de crédito ou crédito pessoal para fazer face a despesas correntes.
Portugal é o quinto país da UE com mais horas de trabalho
Apesar da subida dos salários, Portugal continua entre os países europeus com maior carga horária semanal.
De acordo com a Pordata, os trabalhadores em Portugal cumpriram, em média, 39,7 horas por semana em 2025, acima da média da União Europeia, fixada em 37 horas.
O país ocupa a quinta posição no ranking europeu, apenas atrás da Grécia, Polónia, Roménia e Bulgária.
Em contraste, países com maior prevalência de trabalho a tempo parcial, como Países Baixos, Dinamarca e Alemanha, apresentam médias significativamente mais baixas.
Deste modo, os trabalhadores portugueses continuam a trabalhar mais horas do que a maioria dos europeus, sem que isso se traduza necessariamente em níveis salariais equivalentes.
Salários em Portugal continuam abaixo da média europeia
Segundo a Pordata, o salário médio ajustado a tempo completo em Portugal foi de 2.068,2 euros em 2024, muito abaixo da média comunitária de 3.317,3 euros.
Esta diferença evidencia que, embora os salários estejam a subir, o poder de compra continua condicionado por um diferencial relevante face aos restantes países da União Europeia.
Ao mesmo tempo, Portugal apresenta uma das mais elevadas taxas de emprego entre os jovens dos 25 aos 29 anos, mas também níveis significativos de precariedade laboral.
Para muitas famílias, o aumento do rendimento líquido continua a ser um fator determinante para melhorar o credit score e reforçar a capacidade de acesso a crédito habitação.
Contratos temporários e precariedade continuam elevados
Portugal mantém uma percentagem de 15,1% de contratos temporários, acima da média europeia de 13%.
Entre os trabalhadores com menos de 30 anos, quase quatro em cada dez têm vínculos precários, colocando o país entre os que apresentam maior incidência de trabalho temporário jovem.
Entre os trabalhadores estrangeiros, a precariedade é ainda mais acentuada: cerca de 34% têm contratos temporários, face a quase 14% entre os trabalhadores nacionais.
Os dados revelam uma realidade mista. Os salários estão a crescer acima da inflação, mas Portugal continua a combinar longas jornadas de trabalho, remunerações inferiores à média europeia e níveis elevados de precariedade, sobretudo entre jovens e trabalhadores estrangeiros.