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Rafaela Guerra
Escrito por Rafaela Guerra

Licenciada em Contabilidade e Administração, sou especialista em gestão financeira e marketing. Procuro ajudar os leitores a acompanhar a atualidade e a melhorar a sua literacia financeira.

Cabaz alimentar recua após recorde, mas inflação continua a pressionar o orçamento das famílias

O custo do cabaz alimentar essencial voltou a descer ligeiramente, depois de ter atingido o valor mais elevado desde que começou a ser monitorizado pela DECO PROteste. Apesar deste alívio semanal, os preços continuam muito acima dos níveis registados em 2022 e refletem o impacto da inflação sobre as despesas do dia a dia.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, a inflação acelerou para 3,3% em abril, impulsionada sobretudo pela subida dos combustíveis e dos produtos alimentares. Este contexto ajuda a explicar porque o custo do supermercado continua elevado, mesmo quando se registam pequenas descidas pontuais.

Cabaz desce para 260,41 euros esta semana

O cabaz composto por 63 produtos essenciais passou a custar 260,41 euros, menos 1,48 euros do que na semana anterior.

Trata-se da primeira descida depois de o indicador ter atingido um máximo histórico. Ainda assim, a redução semanal tem um impacto limitado quando comparada com a forte subida acumulada nos últimos anos.

Face ao início de 2026, o custo do cabaz diminuiu 18,58 euros, o equivalente a uma descida de 7,68%. Apesar desta redução, o valor continua em níveis historicamente elevados.

Preços continuam muito acima dos valores de 2022

O cabaz alimentar está 20,69 euros mais caro do que em maio de 2025, o que corresponde a um aumento de 8,63%.

Em comparação com janeiro de 2022, o mesmo conjunto de produtos custa mais 72,71 euros, ou seja, um acréscimo de 38,74%.

Na prática, isto significa que as famílias precisam de reservar uma fatia cada vez maior do orçamento para despesas essenciais, reduzindo a capacidade de poupança e limitando a margem para outros objetivos financeiros.

Produtos que mais subiram

Na última semana, a massa espiral subiu 9%, para 1,46 euros, a perca do Nilo aumentou 7%, para 12,99 euros por quilo, e o atum em posta em azeite ficou 6% mais caro, atingindo 2,27 euros.

Na comparação com o ano passado, a couve-coração subiu 40%, o robalo 36% e o tomate chucha 32%.

Desde janeiro de 2022, a carne de novilho para cozer encareceu 126%, a couve-coração 97% e os ovos 84%, evidenciando o impacto prolongado da inflação no custo da alimentação.

Inflação acelera com energia e alimentos

A inflação de 3,3% em abril representa o valor mais elevado dos últimos dois anos. Em janeiro, antes da recente pressão sobre os mercados energéticos, a taxa era de 1,9%.

Os produtos energéticos registaram uma subida homóloga de 11,7%, enquanto os alimentos não transformados aumentaram 7,4%.

A inflação subjacente, que exclui energia e alimentos frescos, subiu para 2,2%, sinalizando que a pressão sobre os preços continua a alargar-se a outras categorias de bens e serviços.

Como gerir o impacto no orçamento

Quando o custo de vida aumenta, algumas famílias recorrem ao cartão de crédito para acomodar despesas correntes ou imprevistos.

Também pode ser útil reorganizar encargos através de crédito consolidado ou avaliar se um crédito pessoal é financeiramente sustentável.

Antes de assumir novos compromissos, convém consultar o mapa de responsabilidades e analisar indicadores como a TAEG e o MTIC.

Mesmo com uma descida pontual do cabaz alimentar, a combinação entre inflação elevada e preços persistentes nos supermercados continua a ter um impacto significativo no orçamento das famílias portuguesas.

Esta tendência obriga muitos consumidores a rever hábitos de consumo, comparar preços com maior frequência e planear as compras de forma mais cuidadosa para proteger o poder de compra.