Intermediação de Crédito
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Rafaela Guerra
Escrito por

Licenciada em Contabilidade e Administração, sou especialista em gestão financeira e marketing. Procuro ajudar os leitores a acompanhar a atualidade e a melhorar a sua literacia financeira.

Famílias mantêm poupança estável e incumprimento no crédito habitação continua em mínimos

As famílias portuguesas mantiveram uma situação financeira estável no início de 2026, refletida tanto na taxa de poupança como na evolução do crédito habitação.

Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que a taxa de poupança permaneceu nos 12,3% do rendimento disponível no primeiro trimestre do ano.

Banco de Portugal revela que o incumprimento no crédito habitação voltou a recuar para níveis historicamente baixos.

Ao mesmo tempo, verificou-se uma redução dos reembolsos antecipados dos empréstimos para compra de casa. Também se registou uma descida dos spreads praticados nos novos contratos, num contexto marcado pela redução das taxas Euribor e pela crescente concorrência entre instituições financeiras.

Taxa de poupança das famílias mantém-se nos 12,3%

No primeiro trimestre de 2026, a taxa de poupança das famílias estabilizou nos 12,3% do rendimento disponível, mantendo o nível registado no trimestre anterior.

Segundo o INE, esta evolução resulta do crescimento do Rendimento Disponível Bruto (RDB), conjugado com o aumento da despesa de consumo final. Enquanto o rendimento disponível cresceu, a despesa das famílias avançou 1,3%, valor ligeiramente inferior ao crescimento do rendimento, permitindo manter o nível de aforro.

A capacidade de financiamento das famílias fixou-se em 4,1% do Produto Interno Bruto (PIB), valor idêntico ao observado no trimestre precedente. Ainda assim, representa uma redução de 0,3 pontos percentuais face ao mesmo período do ano passado.

O INE explica que este resultado foi impulsionado pelo aumento de 2% da poupança, bem como pelo crescimento das transferências líquidas de capital, fatores que compensaram o aumento do investimento realizado pelas famílias.

Incumprimento no crédito habitação continua a recuar

A estabilidade financeira das famílias também se refletiu na evolução do crédito habitação. Segundo o Banco de Portugal, o rácio de incumprimento em montante no crédito habitação e hipotecário desceu de 0,2% em dezembro de 2024 para 0,1% em dezembro de 2025.

Em termos de número de contratos, o incumprimento recuou de 2,0% para 1,5%, confirmando uma melhoria generalizada da qualidade da carteira de crédito das instituições financeiras.

O regulador destaca que não existem sinais de deterioração do crédito, apontando como principais fatores a descida das taxas Euribor, a melhoria do mercado de trabalho e o aumento do rendimento disponível das famílias.

Esta evolução tem contribuído para uma maior estabilidade na gestão dos encargos financeiros, incluindo o pagamento da prestação da casa, que beneficiou do alívio provocado pela redução gradual dos custos de financiamento.

Bancos reforçam prevenção do risco

Apesar da redução do incumprimento, os bancos continuaram a reforçar os mecanismos de prevenção de dificuldades financeiras.

Ao longo de 2025 foram iniciados, em média, cerca de 67 mil processos PARI por mês, mais 8,9% do que no ano anterior. No total, foram abrangidos cerca de 802 mil processos, envolvendo quase 310 mil contratos e um montante de dívida próximo dos 19,8 mil milhões de euros.

Segundo o Banco de Portugal, este aumento não significa um agravamento da situação financeira das famílias, mas resulta sobretudo da aplicação de novas orientações que exigem uma identificação mais precoce de potenciais situações de risco.

Dos processos concluídos, 61% terminaram sem identificação de risco de incumprimento, enquanto apenas 6,5% resultaram efetivamente em situações de incumprimento por parte dos clientes.

Reembolsos antecipados diminuem e spreads descem

Com a normalização das taxas de juro, as famílias reduziram também o recurso às amortizações antecipadas dos empréstimos.

Em 2025 foram realizados 153.092 reembolsos antecipados, entre amortizações totais e parciais, menos 16,2% do que no ano anterior. O montante global amortizado atingiu 8,4 mil milhões de euros, representando uma redução de 7,2% face a 2024.

Ao mesmo tempo, o spread médio dos novos contratos de crédito habitação indexados à Euribor a três, seis e 12 meses desceu para 0,73 pontos percentuais, abaixo dos 0,89 pontos percentuais registados em 2024.

Nos contratos a taxa mista, o spread médio da componente variável estabilizou em torno de 0,75 pontos percentuais.

O Banco de Portugal destaca ainda que cerca de um terço dos novos empréstimos foi contratado com spreads iguais ou inferiores a 0,5 pontos percentuais, refletindo uma maior concorrência entre bancos e melhores condições de financiamento para os clientes com menor perfil de risco.

Esta evolução poderá beneficiar famílias que procuram melhorar a sua taxa de esforço ou realizar uma simulação de crédito para avaliar novas condições de financiamento, num mercado que continua a apresentar sinais de estabilidade e maior competitividade.