A taxa mista manteve-se como a opção preferida dos portugueses na contratação de crédito habitação em 2025, mas registou uma perda de peso face ao ano anterior.
Os dados divulgados pelo Banco de Portugal mostram que, apesar de continuar a liderar de forma destacada, esta modalidade começou a ceder espaço aos contratos indexados a taxa variável, num contexto marcado pela descida das taxas de juro.
O relatório do regulador revela ainda um aumento significativo da atividade no mercado do crédito habitação, com mais contratos celebrados e montantes financiados mais elevados.
Registou-se também uma crescente intervenção dos intermediários de crédito, que passaram pela primeira vez a ser o principal canal de comercialização de empréstimos em Portugal.
Taxa mista continua a liderar, mas perde expressão
Em 2025, 75,4% do montante do novo crédito habitação foi contratado a taxa mista, um valor que, apesar de continuar muito acima das restantes modalidades, representa uma descida face aos 81,5% registados em 2024.
Segundo o Banco de Portugal, verificou-se uma substituição parcial da contratação a taxa mista por contratos a taxa variável. Esta evolução surge num período em que os juros apresentaram uma tendência de descida, tornando as soluções indexadas à Euribor mais atrativas para muitas famílias.
A taxa variável passou a representar 18,6% do montante concedido, acima dos 12,4% observados em 2024. Já a taxa fixa continuou a ter uma expressão reduzida, correspondendo a apenas 6% dos novos financiamentos, praticamente sem alterações face ao ano anterior.
Apesar desta mudança nas novas contratações, os contratos a taxa variável continuam a representar a maior fatia da carteira total de crédito habitação em vigor. No final de 2025, esta modalidade correspondia a 68,1% dos contratos ativos.
Mais contratos e valores financiados mais elevados
O mercado habitacional registou um crescimento expressivo da procura por financiamento ao longo de 2025. Em média, foram celebrados 11.134 contratos de crédito habitação por mês, o que representa um aumento de 11,5% face a 2024.
Ainda mais significativo foi o crescimento do montante financiado. O valor médio mensal concedido atingiu 1.949,9 milhões de euros, traduzindo uma subida de 34,9% em comparação com o ano anterior.
Os dados mostram que o financiamento bancário continuou a desempenhar um papel central no acesso à habitação, num período em que muitas famílias recorreram à simulação de crédito para encontrar soluções mais ajustadas à sua capacidade financeira e à evolução das taxas de juro.
No segmento dos outros créditos hipotecários, foram celebrados 37.366 novos contratos, menos 8,7% do que em 2024. Ainda assim, o montante total concedido aumentou 1,8%, atingindo os 2,7 mil milhões de euros.
Prazos dos empréstimos voltam a aumentar
O prazo médio dos novos contratos de crédito habitação voltou a aumentar em 2025. Segundo o Banco de Portugal, passou de 30,7 anos para 31,7 anos, uma evolução influenciada pelo regime da garantia pública do Estado destinado aos jovens compradores.
O alargamento dos prazos permite reduzir o valor da prestação mensal, facilitando o acesso ao financiamento. No entanto, implica também um maior período de endividamento e um custo total mais elevado ao longo da vida do empréstimo.
Apesar desta subida nos novos contratos, o prazo médio da carteira global de crédito habitação registou uma ligeira redução, passando de 33,6 anos em 2024 para 33,5 anos em 2025.
Renegociações e amortizações continuam a diminuir
Com a descida das taxas de juro, verificou-se igualmente uma redução das renegociações e dos reembolsos antecipados de crédito habitação.
Durante os períodos de juros elevados, muitas famílias procuraram renegociar condições ou amortizar parte dos empréstimos para reduzir o valor da prestação da casa. Em 2025, essa necessidade tornou-se menos evidente.
Foram realizados 153.092 reembolsos antecipados, entre amortizações parciais e totais, num montante global de 8.400 milhões de euros. O valor amortizado diminuiu 7,2% face ao ano anterior.
Já as renegociações recuaram 26,4% em montante, tendo sido registadas 49.795 operações, correspondentes a mais de 5.100 milhões de euros renegociados junto das instituições financeiras.
Intermediários de crédito tornam-se canal principal
Uma das principais mudanças identificadas pelo Banco de Portugal foi o crescimento da importância dos intermediários de crédito na comercialização de empréstimos.
Em 2025, 50,6% do crédito concedido passou por estes operadores, superando pela primeira vez o volume de crédito contratado diretamente junto dos bancos desde a entrada em vigor da atual regulamentação, em 2018.
Em sentido inverso, o peso dos financiamentos concedidos diretamente pelas instituições bancárias desceu de 50,1% para 49,4%.
O relatório destaca ainda a melhoria da qualidade da carteira de crédito. O peso do incumprimento no crédito habitação e hipotecário diminuiu de 0,2% em dezembro de 2024 para apenas 0,1% no final de 2025, reforçando os sinais de estabilidade financeira das famílias portuguesas.