A economia portuguesa inicia 2026 com perspetivas positivas, apoiada por um ciclo prolongado de crescimento e por fatores estruturais que continuam a sustentar a atividade económica. Apesar da pressão sentida pelas famílias no custo de vida, os indicadores apontam para a continuação da expansão económica ao longo do ano.
A análise mais recente indica que Portugal mantém uma trajetória de crescimento iniciada após a última recessão, beneficiando da recuperação do consumo, do investimento e da execução dos fundos europeus.
Expansão económica prolonga se em 2026
A economia portuguesa soma mais de 20 trimestres consecutivos de crescimento, segundo o Comité de Datação dos Ciclos Económicos. Esta evolução confirma a resiliência da atividade económica, mesmo num contexto internacional marcado por incerteza e desaceleração em algumas economias europeias.
Para 2026, não são antecipados sinais de recessão nem de inversão do ciclo. Pelo contrário, as projeções apontam para a continuidade da expansão, ainda que a um ritmo mais moderado do que nos anos de forte recuperação.
Consumo e investimento sustentam crescimento
O crescimento económico esperado para 2026 é apoiado pelo consumo privado, que se mantém robusto, e pelo investimento, impulsionado pela execução do Plano de Recuperação e Resiliência. O aumento dos licenciamentos na construção sugere maior confiança dos agentes económicos.
O investimento público e privado deverá continuar a ter um papel relevante, sobretudo em áreas como habitação, infraestruturas e transição energética, com impacto positivo no emprego e na atividade empresarial.
Mercado de trabalho mantém se favorável
O mercado de trabalho continua a apresentar sinais positivos, com níveis elevados de emprego e criação líquida de postos de trabalho, em especial no setor dos serviços. Esta evolução contribui para a estabilidade dos rendimentos das famílias.
A manutenção do emprego tem sido um fator-chave para sustentar o consumo interno, ajudando a compensar parcialmente o impacto da subida dos preços em bens e serviços essenciais.
Custo de vida continua sob pressão
Apesar do enquadramento macroeconómico favorável, o custo de vida permanece elevado em 2026. Os preços de bens essenciais no supermercado continuam a pressionar os orçamentos familiares, refletindo aumentos acumulados nos custos de produção e distribuição.
A habitação mantém se como uma das principais fontes de despesa. Além das rendas elevadas, muitas famílias enfrentam encargos mais altos com crédito habitação, num contexto de taxas de referência ainda exigentes.
Serviços essenciais também registam aumentos
Outras rubricas do orçamento familiar, como energia, telecomunicações e transportes, continuam sujeitas a reajustes de preços. Estes aumentos, embora moderados em alguns casos, contribuem para uma perceção generalizada de encarecimento do dia a dia.
Mesmo com inflação mais controlada, os efeitos acumulados das subidas dos últimos anos continuam a ser sentidos pelas famílias ao longo de 2026.
Crescimento e desafios convivem em 2026
O cenário económico para 2026 combina crescimento sustentado com desafios ao nível do poder de compra. As perspetivas positivas para a economia contrastam com a pressão sentida no orçamento das famílias, sobretudo nas despesas fixas.
O cenário económico de 2026 tem reflexos no acesso ao crédito. Com maior estabilidade nos rendimentos e perspetivas de crescimento, algumas famílias equacionam recorrer a crédito para habitação ou consumo. Ainda assim, as decisões de financiamento continuam condicionadas pelas taxas de juro, critérios de avaliação e pela capacidade de suportar prestações mensais.
Analistas defendem que a consolidação do crescimento dependerá da capacidade de reforçar o investimento, melhorar a oferta de habitação e criar condições para que o aumento da atividade económica se traduza numa melhoria efetiva do bem-estar das famílias.