Intermediação de Crédito
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Rafaela Guerra
Escrito por Rafaela Guerra

Licenciada em Contabilidade e Administração, sou especialista em gestão financeira e marketing. Procuro ajudar os leitores a acompanhar a atualidade e a melhorar a sua literacia financeira.

Taxa de sobrequalificação continua elevada e pressiona rendimentos em Portugal

Taxa de sobrequalificação continua elevada e pressiona rendimentos em Portugal

Em 2023, os trabalhadores com ensino superior que desempenhavam funções abaixo das suas qualificações ganhavam, em média, 36,8% menos do que colegas com a mesma formação. Esta diferença salarial evidencia o impacto do subaproveitamento de competências no mercado de trabalho português.

O relatório do CoLABOR, Laboratório Colaborativo para o Trabalho, Emprego e Proteção Social, mostra que essas situações no setor privado continuam a gerar diferenças salariais relevantes e maior exposição a vínculos laborais atípicos.

Os dados indicam ainda que quem exerce funções incompatíveis com a sua formação enfrenta mais frequentemente contratos precários. Cerca de 27% das pessoas nessa situação tinham vínculos não permanentes, muito acima da média dos trabalhadores com funções ajustadas ao seu nível de estudo.

O estudo destaca também desigualdades maiores entre quem imigrou para Portugal e quem é natural do país. Entre a população estrangeira com ensino superior que trabalha no setor privado, a taxa de subaproveitamento de competências ultrapassa os 44,9%, muito acima dos valores médios.

Estas conclusões surgem num momento em que se discute cada vez mais a relação entre educação, trabalho e poder de compra. Para além disso, o tema do crédito, especialmente o de habitação, torna-se particularmente relevante quando os rendimentos não acompanham o nível de formação.

Rendas, empréstimos e o financiamento de estudos exigem frequentemente um rendimento estável ou um historial salarial consistente, algo comprometido em situações de subemprego ou salários significativamente abaixo do esperado.

Com estas revelações, o relatório sublinha a persistência de desequilíbrios no mercado de trabalho em Portugal e lança um alerta sobre os desafios que muitos profissionais enfrentam, mesmo tendo qualificações elevadas.