O setor da construção em Portugal antecipa um desempenho económico positivo em 2026, com uma projeção de crescimento de 4,4% no valor acrescentado bruto (VAB). As expectativas constam de relatórios sectoriais e estudos económicos que destacam o papel dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) na dinamização da atividade de construção e reabilitação.
Este crescimento previsto contrasta com o desempenho mais modesto registado nos anos anteriores e reflete tanto a recuperação de projetos adiados como a capacidade de execução de fundos públicos que visam apoiar a economia portuguesa em setores estratégicos.
Dinâmica do setor em 2025
Ao longo de 2025, o setor da construção registou uma recuperação gradual, apesar de desafios persistentes, como a escassez de mão de obra qualificada, custos elevados de materiais e barreiras administrativas em processos de licenciamento.
O aumento de obras públicas e privadas contribuiu para atenuar os efeitos mais negativos sentidos em contextos económicos anteriores, gerando uma base mais sólida para a expectativa de crescimento em 2026.
Papel do PRR no impulso à construção
O Plano de Recuperação e Resiliência tem sido apontado como um fator crucial para o reforço da atividade no setor. Com dotação financeira significativa para áreas como a construção sustentável, a reabilitação urbana e a melhoria de infraestruturas, o PRR permite que empresas do setor acedam a financiamento direcionado.
Estes fundos destinam-se a projetos que promovam eficiência energética, criação de habitação acessível e modernização de equipamentos públicos, o que se traduz num estímulo direto à atividade dos construtores e fornecedores.
Ao apoiar projetos com impacto social e económico, o PRR contribui para a dinamização de segmentos da construção que têm efeitos multiplicadores na economia, como a promoção de empregos e o aumento da atividade de subcontratados.
Expectativas de emprego e mão de obra
O crescimento previsto para 2026 também cria expectativas positivas no mercado de trabalho associado à construção. O aumento de projetos e a execução de fundos públicos podem gerar mais oportunidades de emprego para profissionais qualificados no setor.
Ainda assim, a falta de mão de obra especializada é citada como um dos principais entraves ao crescimento sustentado. Organizações empresariais defendem a necessidade de formação profissional contínua e de políticas que facilitem a entrada de trabalhadores estrangeiros qualificados neste mercado.
Impacto no preço da habitação e na oferta
O desempenho do setor da construção está diretamente ligado à oferta de habitação no país. Um crescimento mais robusto pode contribuir para aliviar pressões no mercado imobiliário, onde a escassez de casas e o aumento das rendas têm sido uma preocupação constante.
No entanto, a tradução de maior atividade de construção em preços mais acessíveis de habitação depende de vários fatores, como o custo dos materiais, acesso ao financiamento e políticas públicas integradas que incentivem a construção acessível.
Influência no mercado de crédito habitação
O crescimento do setor da construção e o aumento da oferta de imóveis podem ter impacto no mercado decrédito habitação. Se mais casas forem construídas e colocadas à venda, isso pode aliviar pressões de preços e reduzir o montante que as famílias precisam financiar.
Com um mercado imobiliário mais equilibrado, as instituições financeiras podem ajustar as suas avaliações e critérios de financiamento, potencialmente facilitando o acesso ao crédito habitação, sobretudo para jovens compradores e agregados familiares com rendimentos moderados.
Ao mesmo tempo, um setor da construção em expansão pode incentivar bancos a desenvolver produtos de crédito mais orientados para a aquisição de imóveis novos ou reabilitados.
Perspetivas para 2026
O consenso entre analistas é que 2026 representa um ano de oportunidades, mas também de incertezas para o setor da construção. A capacidade de aplicar eficazmente os fundos do PRR e de ultrapassar desafios internos como a escassez de mão de obra e os entraves administrativos será determinante para alcançar o crescimento projetado.
A integração de políticas públicas consistentes, incentivos fiscais adequados e uma maior coordenação entre os vários agentes económicos pode contribuir para um desenvolvimento mais equilibrado e sustentável do setor.
O impacto destas mudanças no mercado habitacional e na economia em geral poderá ser sentido ao longo dos próximos anos, não apenas em termos de VAB, mas também na vida das famílias que procuram habitação acessível e condições favoráveis de financiamento.