O mercado do crédito habitação em Portugal continua a revelar sinais de prudência, apesar do contexto de preços elevados da habitação. Os dados mais recentes indicam que a maioria dos novos contratos mantém uma taxa de esforço controlada e recorre, em muitos casos, a mecanismos de garantia pública.
Taxa de esforço mantém-se em níveis moderados
A taxa de esforço é um dos principais indicadores usados na análise do crédito habitação. Mede a percentagem do rendimento mensal do agregado familiar destinada ao pagamento da prestação do empréstimo.
Em Portugal, a maioria dos novos créditos habitação contratados apresenta uma taxa de esforço até 20%. Este nível é considerado equilibrado e indica que, na maior parte dos casos, as famílias conseguem suportar o encargo mensal sem comprometer excessivamente o orçamento.
Mesmo com prestações mais elevadas face a anos anteriores, a contenção da taxa de esforço sugere uma avaliação rigorosa da capacidade financeira dos mutuários.
Garantia pública tem peso relevante no financiamento
Outro dado relevante é a utilização de garantia pública no crédito habitação. Este mecanismo permite reduzir o risco associado ao empréstimo e facilitar o acesso ao financiamento, sobretudo para famílias com menor margem financeira.
Os bancos utilizaram 52,8% do valor total do crédito habitação contratado com recurso a garantia pública. Mais de metade do montante financiado contou, assim, com este tipo de apoio, demonstrando a sua importância no mercado.
A garantia pública tem sido particularmente relevante em operações de menor valor e em segmentos mais sensíveis às exigências de entrada inicial.
Critérios prudentes marcam concessão de crédito
A combinação de taxas de esforço mais baixas com o recurso a garantias públicas aponta para uma estratégia de concessão de crédito marcada pela prudência. As instituições financeiras procuram equilibrar o acesso ao financiamento com a mitigação do risco.
Esta abordagem contribui para reduzir a probabilidade de incumprimento e para assegurar maior estabilidade do sistema financeiro, num contexto económico ainda sujeito a incertezas.
Ao mesmo tempo, permite que mais famílias consigam avançar para a compra de habitação, mesmo com constrangimentos no rendimento disponível.
Enquadramento no mercado da habitação
A evolução do crédito habitação está intimamente ligada à dinâmica do mercado imobiliário. Com preços de compra elevados, o recurso ao financiamento bancário continua a ser indispensável para a maioria dos compradores.
O predomínio de contratos com taxa variável torna as famílias mais sensíveis à evolução das taxas de juro, reforçando a importância de manter a taxa de esforço em níveis prudentes.
Neste cenário, o controlo dos encargos mensais assume um papel central na decisão de contratação de crédito.
O que mostram os dados para 2026
Os dados disponíveis apontam para um mercado de crédito habitação que entra em 2026 com sinais de estabilidade. A maioria dos contratos apresenta níveis de esforço considerados sustentáveis, apoiados por mecanismos de garantia pública.
Este enquadramento sugere que, apesar das dificuldades no acesso à habitação, o crédito continua a ser concedido de forma cautelosa, protegendo tanto as famílias como o sistema financeiro.
A evolução futura dependerá da trajetória das taxas de juro, do rendimento das famílias e das políticas públicas de apoio à habitação.