O ano de 2024 marcou uma clara retoma no mercado de crédito à habitação em Portugal, revertendo a tendência negativa registada em 2023. De acordo com o Banco de Portugal, o número de novos contratos aumentou significativamente, com 125.360 contratos celebrados, um crescimento de 26,6 % face a 2023.
O montante total concedido também ascendeu a cerca de 17,9 mil milhões de euros, refletindo um aumento de 32 % comparado com o ano anterior.
Este forte incremento traduziu-se também num maior valor médio financiado. O montante médio por contrato subiu para 142.791 €, representando um aumento de 4,3 % em relação a 2023. Este valor reflete, em parte, a escalada dos preços da habitação (cerca de 9,1 %) e o maior recurso dos mutuários a financiamentos mais elevados.
A nível trimestral, todos os períodos de 2024 registaram aumentos homólogos tanto no número de contratos quanto no montante concedido, causando impacto a partir do segundo trimestre, período em que entraram em vigor benefícios fiscais (como isenções de IMT e Imposto de Selo) para jovens até 35 anos.
No final de 2024, a carteira de crédito à habitação contava com 1,32 milhões de contratos (menos 1,7 % do que no final de 2023), mas o saldo em dívida atingiu 101,7 mil milhões de euros, um acréscimo de 3,5 %. Esta combinação revela que o montante médio em dívida por contrato também aumentou, evidenciando maior valor médio por mutuário.
Assim, o ano de 2024 foi de clara recuperação no mercado do crédito à habitação em Portugal.
O aumento do número de pedidos, aliado ao crescimento do montante total concedido e ao valor médio por contrato, mostra um panorama de maior confiança dos mutuários e melhores condições financeiras e fiscais para estes investimentos imobiliários.