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Rafaela Guerra
Escrito por Rafaela Guerra

Licenciada em Contabilidade e Administração, sou especialista em gestão financeira e marketing. Procuro ajudar os leitores a acompanhar a atualidade e a melhorar a sua literacia financeira.

Rendas de escritórios sobem com escassez de espaços modernos no mercado

A procura por escritórios modernos continua a superar a oferta disponível em várias cidades europeias, contribuindo para uma subida das rendas neste segmento do mercado imobiliário.

A escassez de edifícios recentes ou totalmente renovados, com padrões elevados de eficiência energética e infraestruturas tecnológicas, está a pressionar os valores pedidos pelos proprietários.

Nos últimos anos, muitas empresas têm privilegiado espaços mais eficientes e flexíveis, capazes de responder às novas formas de trabalho híbrido. Esta tendência tem concentrado a procura em edifícios de qualidade superior, enquanto uma parte significativa do parque imobiliário existente permanece desatualizada.

Como resultado, o mercado tem registado uma diferenciação crescente entre imóveis modernos e edifícios mais antigos, tanto ao nível das rendas como da taxa de ocupação.

Procura concentra-se em edifícios recentes e eficientes

Os escritórios de construção recente ou alvo de reabilitação profunda são atualmente os mais procurados por empresas que procuram melhorar as condições de trabalho e reduzir custos operacionais.

Características como certificação energética elevada, sistemas de climatização eficientes e espaços adaptáveis tornaram-se fatores decisivos na escolha de instalações.

A localização também continua a desempenhar um papel central. Zonas empresariais bem servidas por transportes públicos e com acesso a serviços complementares tendem a concentrar grande parte da procura.

Ao mesmo tempo, muitos edifícios construídos há várias décadas não reúnem os requisitos técnicos exigidos pelas empresas atuais, o que limita a sua competitividade no mercado. Em vários casos, estes imóveis necessitam de obras de modernização significativas para voltarem a atrair arrendatários.

Este fenómeno tem reforçado a diferença entre os chamados escritórios de “prime”, que apresentam os níveis de qualidade mais elevados, e os restantes ativos disponíveis no mercado.

Oferta limitada mantém pressão sobre as rendas

Apesar do aumento da procura por espaços modernos, o ritmo de construção de novos edifícios de escritórios tem sido relativamente moderado em muitas cidades europeias.

Os custos de construção mais elevados, a escassez de terrenos disponíveis em zonas centrais e os processos de licenciamento prolongados têm condicionado o desenvolvimento de novos projetos.

Esta combinação de fatores tem mantido a oferta de escritórios de elevada qualidade relativamente limitada, contribuindo para a valorização das rendas nos edifícios mais procurados.

Em alguns mercados, os proprietários têm optado por reabilitar imóveis existentes em vez de avançar com novas construções. A renovação de edifícios permite atualizar infraestruturas e melhorar a eficiência energética, tornando-os mais competitivos no atual contexto de procura.

Ainda assim, a velocidade com que estes projetos chegam ao mercado nem sempre acompanha o crescimento da procura por parte das empresas.

Empresas procuram espaços mais flexíveis

A transformação das dinâmicas de trabalho também está a influenciar o tipo de escritórios procurados pelas empresas. Após a pandemia, muitas organizações adotaram modelos híbridos, combinando trabalho presencial e remoto.

Esta mudança levou a uma maior procura por espaços flexíveis, que possam ser facilmente reorganizados para diferentes funções, como áreas de colaboração, salas de reunião ou zonas de trabalho partilhado.

Os edifícios mais recentes tendem a oferecer maior capacidade de adaptação, o que os torna particularmente atrativos para empresas que procuram otimizar o uso do espaço.

Além disso, fatores relacionados com sustentabilidade e bem-estar no local de trabalho ganharam maior relevância nas decisões de arrendamento, reforçando a preferência por imóveis modernos.

Mercado tende a manter segmentação entre imóveis

Especialistas do setor imobiliário antecipam que a diferença entre edifícios modernos e escritórios mais antigos continuará a acentuar-se nos próximos anos. Enquanto os espaços mais qualificados mantêm níveis elevados de procura, alguns imóveis desatualizados enfrentam maiores dificuldades em encontrar ocupantes.

Esta segmentação do mercado poderá incentivar mais proprietários a investir na renovação dos seus ativos, adaptando-os às exigências atuais das empresas.

Ao mesmo tempo, a evolução da atividade económica e das estratégias de ocupação das empresas continuará a influenciar o ritmo de absorção de escritórios e o comportamento das rendas.

A evolução do mercado de escritórios é também acompanhada pelas instituições financeiras, já que a valorização destes ativos influencia decisões de financiamento imobiliário.

Projetos de construção ou reabilitação de edifícios empresariais recorrem frequentemente a crédito imobiliário, tornando as condições de financiamento um fator relevante para o desenvolvimento de novos espaços.

Num cenário em que as empresas procuram espaços cada vez mais eficientes e tecnologicamente preparados, a capacidade de modernização do parque imobiliário será um dos fatores determinantes para o equilíbrio entre oferta e procura no mercado de escritórios.