A maioria dos portugueses não acredita que irá ter rendimentos suficientes para viver confortavelmente na reforma. A conclusão surge a partir de um inquérito europeu sobre pensões e seguros, que revela elevados níveis de preocupação com a segurança financeira no futuro.
O estudo foi realizado junto de adultos de vários países da União Europeia e mostra que a confiança dos portugueses na capacidade de manter o nível de vida após a vida ativa é inferior à média europeia.
Baixa adesão a pensões complementares
Em Portugal, a adesão a planos de pensões privados continua a ser reduzida. Apenas uma pequena parte da população indica ter subscrito um produto de poupança complementar destinado especificamente à reforma.
Também os regimes de pensões associados ao emprego registam uma penetração limitada. A maioria dos trabalhadores depende quase exclusivamente da pensão pública como principal fonte de rendimento futuro.
Falta de confiança mesmo entre quem poupa
Mesmo entre os portugueses que têm planos de pensões privados ou ocupacionais, os níveis de confiança são baixos. Uma parte significativa destes inquiridos afirma duvidar que os rendimentos acumulados sejam suficientes para cobrir as despesas na reforma.
Entre quem não possui qualquer tipo de plano de pensões, a falta de confiança é ainda mais expressiva. Muitos antecipam dificuldades financeiras quando deixarem de trabalhar.
Diferenças face à média europeia
Comparando com outros países da União Europeia, os portugueses revelam maior pessimismo quanto ao futuro financeiro. Em vários Estados-membros, a percentagem de cidadãos confiantes na sua situação na reforma é mais elevada.
Os receios mais comuns estão relacionados com a sustentabilidade dos sistemas públicos de pensões, o impacto da inflação ao longo do tempo e a evolução do custo de vida.
Cultura de poupança de curto prazo
Especialistas apontam a cultura financeira como um dos fatores que explicam estes resultados. Em Portugal, a poupança tende a ser direcionada para objetivos de curto prazo, em detrimento da preparação para a reforma.
A fraca literacia financeira e a desconfiança em produtos de poupança de longo prazo dificultam a adesão a soluções que complementem a pensão do Estado.
Inflação e incerteza reforçam preocupações
A inflação registada nos últimos anos contribuiu para agravar a perceção de insegurança financeira. Muitos portugueses receiam que as poupanças percam valor ao longo do tempo e não acompanhem a subida dos preços.
Estas preocupações são reforçadas pela incerteza quanto à evolução futura das pensões públicas e ao envelhecimento da população.
Impacto no planeamento financeiro das famílias
A falta de confiança na reforma influencia as decisões financeiras tomadas ao longo da vida ativa. Algumas famílias optam por reduzir consumo ou adiar decisões importantes devido ao receio de insuficiência de rendimentos futuros.
Outras acabam por não conseguir poupar de forma consistente, devido ao peso das despesas com habitação, alimentação e transportes.
Planeamento financeiro e recurso a crédito
A incerteza quanto aos rendimentos na reforma influencia as decisões de financiamento ao longo da vida ativa. O crédito habitação é visto como forma de reduzir encargos futuros com renda, enquanto o crédito pessoal pode ser usado para gerir despesas ou consolidar compromissos. Ainda assim, o recurso a crédito deve ter em conta a capacidade financeira a longo prazo.
Ainda assim, deve ser feito de forma ponderada, tendo em conta a taxa de esforço e o impacto das prestações no orçamento ao longo do tempo.
Desafio estrutural para o futuro
Os dados revelam um desafio estrutural para Portugal no que diz respeito à preparação para a reforma. A combinação entre baixa poupança de longo prazo e desconfiança nos sistemas existentes levanta preocupações para os próximos anos.
Especialistas defendem a necessidade de reforçar a literacia financeira e criar incentivos que promovam soluções de poupança adequadas, capazes de garantir maior segurança económica na idade da reforma.