A entrega do IRS relativa a 2025 aproxima-se e traz consigo dúvidas frequentes sobre o valor a receber ou a pagar. Entre deduções à coleta, retenções na fonte e despesas declaradas, há vários fatores que influenciam o resultado.
Perceber como funciona o cálculo do imposto e quais os limites aplicáveis pode fazer diferença no reembolso. Além disso, algumas estratégias simples permitem aumentar o valor a receber ou reduzir o imposto a pagar, desde que respeitem as regras em vigor.
Limites das deduções à coleta variam com o rendimento
As deduções à coleta correspondem às despesas que podem ser abatidas ao imposto apurado, mas estão sujeitas a limites. Estes limites dependem do rendimento coletável e do escalão de IRS.
De forma geral, quanto maior o rendimento, menor o teto global das deduções. Para rendimentos mais baixos, o limite pode atingir até cerca de 2.500 euros, enquanto para rendimentos mais elevados desce de forma significativa.
Além do limite global, existem também tetos específicos por categoria. Despesas de saúde, educação, habitação e encargos com lares têm regras próprias, o que significa que nem todas as despesas são dedutíveis na totalidade.
Como saber se vai receber ou pagar IRS
O resultado do IRS depende essencialmente da diferença entre o imposto devido e o que já foi pago ao longo do ano através das retenções na fonte.
Se o contribuinte reteve mais imposto do que o necessário, terá direito a reembolso. Caso contrário, terá de pagar a diferença. Este cálculo pode ser antecipado através do simulador disponível no Portal das Finanças.
Fatores como alterações de rendimentos, mudanças no agregado familiar ou variações nas despesas podem influenciar o resultado. Por isso, é importante validar toda a informação antes de submeter a declaração.
Despesas com habitação continuam a pesar no cálculo
As despesas com habitação continuam a ter impacto no IRS, nomeadamente através das rendas ou dos juros de contratos antigos de crédito.
No caso do arrendamento, é possível deduzir uma parte das rendas, dentro dos limites definidos. Já no crédito, apenas contratos mais antigos permitem dedução de juros, uma vez que esta possibilidade foi eliminada para contratos mais recentes.
Ainda assim, estes encargos podem influenciar significativamente o imposto final, sobretudo para famílias com maiores despesas fixas.
Cinco formas de aumentar o reembolso ou reduzir o imposto
Existem várias formas de otimizar o IRS dentro da legalidade. Uma das principais passa por garantir que todas as despesas estão corretamente registadas e validadas no sistema eFatura.
Outra estratégia consiste em pedir fatura com número de contribuinte em setores que permitem deduções, como restauração, alojamento, oficinas ou cabeleireiros. Estas despesas contribuem para aumentar o valor dedutível.
Contribuições para planos de poupança reforma também podem gerar benefícios fiscais, ajudando a reduzir o imposto. O mesmo acontece com donativos a entidades elegíveis.
Por fim, verificar a composição do agregado familiar e eventuais benefícios aplicáveis pode fazer diferença no cálculo final.
Atenção à taxa de retenção e ao impacto no orçamento
A taxa de retenção na fonte aplicada ao longo do ano tem um papel determinante no resultado do IRS. Retenções mais elevadas aumentam a probabilidade de reembolso, enquanto retenções mais baixas podem levar a imposto a pagar.
Para muitas famílias, o reembolso funciona como uma forma de poupança forçada, enquanto o pagamento pode representar um esforço adicional no orçamento.
Neste contexto, é importante planear as finanças pessoais e antecipar cenários.
Encargos fixos mensais, como a prestação associada a um contrato de crédito, influenciada por fatores como a TAN, a TAEG e o prazo do crédito, devem ser considerados na gestão da taxa de esforço, sobretudo em períodos de maior carga fiscal.
Com a entrega do IRS a aproximar-se, conhecer as regras e otimizar as deduções pode fazer uma diferença significativa no resultado e no equilíbrio financeiro das famílias.