O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou novas projeções para a economia mundial e para a zona euro no seu relatório World Economic Outlook Update de janeiro de 2026. As estimativas revelam que o crescimento global deverá manter-se robusto em 2026, embora a aceleração económica varie entre regiões e países.
Segundo o FMI, a economia mundial pode crescer cerca de 3,3% em 2026, valor revisto em alta em relação às projeções anteriores e refletindo o contributo de grandes economias como os Estados Unidos e a China. Esta previsão situa-se ligeiramente acima das estimativas anteriores e sugere que o crescimento global permanece resiliente apesar de obstáculos como tensões comerciais e pressões geopolíticas.
Nas economias avançadas, o crescimento deverá ser mais moderado. O relatório aponta para uma expansão agregada de cerca de 1,8% em 2026, mantendo-se num patamar inferior ao das economias emergentes e em desenvolvimento, que se espera que registem um crescimento na ordem dos 4%.
Zona euro com crescimento moderado em 2026 e 2027
Em relação à zona euro, o FMI projeta um crescimento económico de 1,3% em 2026 e de 1,4% em 2027, ligeiramente acima das projeções anteriores para a região. Este desempenho reflete aumentos projetados nos gastos públicos em países como Alemanha, e uma evolução mais favorável em economias como Espanha e Irlanda.
Os responsáveis do FMI destacam, contudo, que a zona euro enfrenta desafios estruturais, como um setor manufatureiro sujeito a pressões persistentes após choques energéticos e uma valorização real do euro face a outras moedas, o que pode limitar a competitividade das exportações.
Estas projeções apontam para um crescimento mais elevado do que as estimativas anteriores em determinados países, mas ainda inferior à média de crescimento global, evidenciando a recuperação assimétrica entre regiões e a dependência de fatores internos e externos.
Fatores que influenciam as projeções globais
O crescimento global estimado tem sido apoiado pelo aumento dos investimentos em tecnologias avançadas, incluindo inteligência artificial. A par disso, as condições de política monetária e fiscal continuam a ser consideradas favoráveis em muitas economias desenvolvidas.
O FMI sublinha que estes fatores ajudam a compensar, em parte, os efeitos adversos de barreiras comerciais e das tensões geopolíticas que continuam a marcar o contexto económico internacional.
A inflação global deverá continuar a abrandar ao longo de 2026 e 2027, com projeções a cair gradualmente, o que pode criar espaço para políticas monetárias mais confortáveis em algumas regiões se as condições económicas o permitirem.
Apesar dos sinais positivos no curto prazo, o FMI alerta para múltiplos riscos que ainda pairam sobre a economia mundial, incluindo possíveis choques nos mercados financeiros, desacelerações inesperadas em grandes economias e impactos de políticas comerciais restritivas.
Impacto nas economias individuais
As projeções regionais destacam diferenças marcadas entre países e zonas económicas. Nos Estados Unidos, espera-se que o crescimento do PIB em 2026 seja impulsionado por uma combinação de política orçamental e taxas de juro mais baixas, ainda que possa abrandar ligeiramente em 2027.
Na zona euro, apesar das perspetivas mais favoráveis, o crescimento será mais moderado. O desempenho de países como Alemanha, França e Itália continua a ser condicionado por desafios internos, enquanto economias como a Espanha e a Irlanda tendem a registar ritmos relativamente mais fortes.
Estas diferenças ilustram as fragilidades e oportunidades distintas no contexto macroeconómico internacional, influenciadas por fatores como estrutura produtiva, políticas fiscais e evolução demográfica.
Impacto nas decisões de financiamento das famílias
As perspetivas de crescimento económico podem influenciar o acesso ao crédito por parte das famílias. Um contexto de maior estabilidade e inflação controlada tende a criar condições mais favoráveis para o crédito habitação e o crédito pessoal, seja para compra de casa, obras ou consolidação de despesas.
Ainda assim, o recurso a financiamento deve considerar a evolução das taxas de juro e a capacidade de reembolso.
Perspetivas para os mercados emergentes
Os mercados emergentes e economias em desenvolvimento deverão manter uma trajetória de crescimento elevada comparativamente às economias avançadas. Contudo, riscos externos, como oscilações nos fluxos de comércio e incertezas nas cadeias de abastecimento globais, continuam a influenciar as perspetivas.
A dinâmica das economias emergentes é considerada um motor de crescimento mundial, contribuindo significativamente para a expansão global apesar de eventuais perturbações.
Conclusão: crescimento resiliente, mas com desafios
As projeções do FMI para 2026 e 2027 mostram uma economia global resiliente, com crescimento acima de níveis históricos em muitas regiões, mas ainda sujeita a desafios estruturais e geopolíticos. A zona euro apresenta uma recuperação moderada, enquanto as economias emergentes continuam a crescer a um ritmo mais rápido.
O equilíbrio entre fatores favoráveis como inovação tecnológica e riscos como tensões comerciais continuará a determinar a trajetória económica nos próximos anos, com implicações importantes para políticas económicas e decisões de investimento a nível global.