Intermediação de Crédito
Voltar Voltar às Notícias
Rafaela Guerra
Escrito por Rafaela Guerra

Licenciada em Contabilidade e Administração, sou especialista em gestão financeira e marketing. Procuro ajudar os leitores a acompanhar a atualidade e a melhorar a sua literacia financeira.

Banco de Portugal Regista Crescimento do Crédito a Particulares e Empresas

Os dados mais recentes do Banco de Portugal, divulgados através do portal BPstat, mostram que o crédito bancário em Portugal continuou a crescer em dezembro de 2025, apesar do contexto de taxas de juro elevadas. A evolução confirma que famílias e empresas mantiveram o recurso ao financiamento bancário ao longo do ano.

Os dados mais recentes do Banco de Portugal, divulgados através do portal BPstat, mostram que o crédito bancário em Portugal continuou a crescer em dezembro de 2025, apesar do contexto de taxas de juro elevadas. A evolução confirma que famílias e empresas mantiveram o recurso ao financiamento bancário ao longo do ano.

A informação estatística permite perceber como os portugueses ajustaram as suas decisões financeiras. O crédito à habitação continua a dominar o endividamento das famílias, enquanto os empréstimos ao consumo registaram um crescimento mais moderado, mas consistente.

Crédito total e empréstimos a particulares continuam a aumentar

No final de 2025, o montante total de empréstimos concedidos pelas instituições bancárias residentes registou um crescimento em termos homólogos, segundo o Banco de Portugal. Esta evolução inclui crédito a particulares e a empresas não financeiras.

No caso das famílias, o crédito a particulares atingiu cerca de 144,8 mil milhões de euros em dezembro, um valor superior ao observado no mesmo mês do ano anterior. O dado confirma que o nível de endividamento das famílias portuguesas permanece elevado.

Empréstimos para habitação concentram a maior fatia do crédito

O montante total de empréstimos para habitação atingiu 111,0 mil milhões de euros no final de 2025, de acordo com os dados do BPstat. Este valor representa a maior parcela do crédito concedido a particulares e confirma a centralidade da habitação nas decisões financeiras das famílias.

Apesar da desaceleração na concessão de novos contratos ao longo do ano, o stock de crédito à habitação continuou a aumentar. A longa duração dos empréstimos existentes e a rigidez do mercado imobiliário ajudam a explicar esta evolução.

As prestações da casa continuam, assim, a ser o principal encargo financeiro das famílias. Com muitos contratos associados a taxas variáveis, o impacto das subidas dos juros manteve-se significativo durante 2025.

Empréstimos ao consumo cresceram a um ritmo mais contido

Os empréstimos ao consumo e outros fins somaram 21,2 mil milhões de euros em dezembro de 2025, segundo o Banco de Portugal. Este segmento inclui crédito pessoal, automóvel e outras formas de financiamento ao consumo.

Embora representem uma fatia menor do total do crédito, os dados mostram que os empréstimos ao consumo continuaram a crescer. O ritmo foi mais moderado do que no crédito à habitação, refletindo maior prudência por parte das famílias.

Ainda assim, o aumento do stock de crédito ao consumo indica que muitas famílias continuam a recorrer a financiamento para despesas relevantes ou para reorganizar a sua situação financeira num contexto de maior pressão sobre o orçamento.

Crédito a empresas e evolução dos depósitos bancários

O Banco de Portugal indica igualmente um aumento do crédito concedido a empresas não financeiras no final de 2025. Este crescimento está associado a necessidades de investimento, reforço de liquidez e adaptação a custos mais elevados.

Em paralelo, os depósitos bancários continuaram a crescer, tanto no segmento dos particulares como no das empresas. Os níveis elevados de depósitos refletem uma preferência por liquidez e segurança, num contexto económico ainda marcado por incerteza.

Apesar da subida gradual das taxas oferecidas pelos bancos, grande parte dos depósitos mantém-se concentrada em produtos de baixo risco. Para muitas famílias, a poupança funciona como uma almofada financeira face ao aumento das despesas fixas.

O que os dados do Banco de Portugal indicam para 2026

A evolução do crédito à habitação e dos empréstimos ao consumo dependerá, em grande medida, das decisões do Banco Central Europeu ao longo de 2026. Uma eventual descida das taxas de juro poderá aliviar as prestações da casa e estimular novos pedidos de crédito.

Estes números confirmam que o crédito continua a ser central nas decisões financeiras das famílias portuguesas, enquanto a gestão do orçamento se mantém sob forte pressão.