O crédito revolving, no qual se inserem os cartões de crédito, teve um crescimento expressivo em 2024. O montante concedido e o número de contratos celebrados aumentaram, respetivamente, 8,2% e 5,1% no ano passado. Sem surpresa, os cartões de crédito continuam a representar a maior fatia do montante concedido, correspondendo a 92,5% do total.
Só entre janeiro e maio de 2024, foram celebrados cerca de 468 mil novos contratos de cartões de crédito em Portugal. O número representa um aumento de 25,4 % face ao mesmo período de 2023, segundo o Banco de Portugal. No ano anterior, tinham sido emitidos cerca de 373 mil cartões.
Desde março de 2024, o número de novos contratos ultrapassou os 90 mil por mês. Valores semelhantes só tinham sido registados em 2021, durante a pandemia.
A pressão sobre os orçamentos familiares é uma das razões apontadas para o aumento. Muitos portugueses recorrem ao crédito ao consumo para fazer face a despesas diárias. A maior oferta de cartões com benefícios (como cashback, descontos ou milhas) também pode justificar esta procura.
Apesar da subida, os montantes médios contratados mantiveram-se estáveis. Indica-se, assim, uma utilização cautelosa por parte dos consumidores.
Já em 2025, a tendência começou por manter-se, mas inverteu-se nos meses seguintes. Em março, foram feitos 81.737 novos contratos de cartões e descobertos. Um crescimento de 10,3 % face ao mesmo mês de 2024.
O total de novos contratos de crédito ao consumo atingiu os 147.754, mais 0,6 % em termos homólogos.
No entanto, em abril de 2025, os números caíram. Foram registados 71.822 contratos de cartões e descobertos. Menos 7,8 % do que em abril de 2024. O crédito ao consumo também recuou 4,8 % face ao ano anterior.
Este abrandamento pode refletir maior prudência dos consumidores ou um ajustamento por parte das instituições financeiras.