O salário médio líquido dos trabalhadores por conta de outrem em Portugal fixou‑se nos 1.264 € no segundo trimestre de 2025. Este valor reflete um crescimento homólogo de 7,3 %, face aos 1.178 € do mesmo período no ano anterior.
Embora a inflação anual tenha sido de 2,4 %, o aumento real situou‑se em 7,1 % (cerca de 84 €), após descontar o impacto dos preços.
Em termos nominais, o ganho médio foi de 86 €, ligeiramente inferior ao impulso de quase 10 % (+108 €) observado no trimestre anterior. Ao descontar‑se os efeitos da inflação, o salário líquido médio real ascendeu a aproximadamente 1 .261,94 €.
Gestores de topo e políticos ultrapassaram pela primeira vez os 2.000 € líquidos, alcançando em média 2.060 €, beneficiando sobretudo do fim do corte salarial de 5 % imposto durante o período da troika e revogado no Orçamento do Estado de 2025.
Por outro lado, trabalhadores não qualificados recebiam apenas cerca de 793 €, agravando a diferença salarial que passou para 1.267 € entre os extremos do mercado laboral.
Estes resultados refletem um aumento no valor/hora dos trabalhadores.
Destacam‑se os maiores aumentos salariais por setor:
- Militares: +18,9 %, ou +286 €, passando de 1 516 € para 1.802 €, impulsionados por atualizações no suplemento de condição militar e equiparações salariais na GNR e Forças Armadas.
- Técnicos de nível intermédio: subida de 10,14 % (126 €), perfazendo 1.368 €.
- Trabalhadores não qualificados: aumento de 9,83 % (71 €), situando-se nos 793 €, abaixo do salário mínimo bruto devido à diferença entre valor líquido e bruto.
Nos setores com aumentos abaixo da média:
- Operários da indústria qualificados, agricultores, pescadores e trabalhadores florestais e os profissionais das atividades científicas e intelectuais (incluindo médicos e professores) registaram incrementos entre 4,7 % e 5,8 %, com salários médios entre 923 € e 1.704 €.
Analises trimestrais apontam para uma moderação: de abril a junho de 2025, o aumento em cadeia foi de apenas 1,12 % (14 €), influenciado por quedas nos rendimentos líquidos de seguranças, vendedores e operários industriais, que perderam cerca de 6 €, situando‑se nos 963 €, 963 € e 1.038 €, respetivamente.