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Rafaela Guerra
Escrito por Rafaela Guerra

Licenciada em Contabilidade e Administração, sou especialista em gestão financeira e marketing. Procuro ajudar os leitores a acompanhar a atualidade e a melhorar a sua literacia financeira.

Rendas das casas subiram 5,3% em 2025 enquanto inflação em Portugal abrandou para 2,3%

As rendas das casas em Portugal voltaram a subir em 2025, apesar da desaceleração da inflação no mesmo ano. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a variação média anual das rendas por metro quadrado fixou-se em 5,3% no conjunto do ano passado, com todas as regiões a registarem aumentos homólogos.

As rendas das casas em Portugal voltaram a subir em 2025, apesar da desaceleração da inflação no mesmo ano. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a variação média anual das rendas por metro quadrado fixou-se em 5,3% no conjunto do ano passado, com todas as regiões a registarem aumentos homólogos.

Em dezembro de 2025, o valor médio das rendas de habitação por metro quadrado cresceu 4,9% face ao mesmo mês de 2024, prolongando uma tendência de subidas que se tem mantido nos últimos anos.

Madeira lidera aumentos e variação mensal permanece positiva

A região da Madeira destacou-se com o maior aumento médio anual das rendas, com 6,9% em dezembro e 7,3% ao longo de 2025, superando a média nacional.

Em termos mensais, a variação média dos preços das rendas foi de 0,2% em dezembro, uma taxa ligeiramente inferior à observada no mês anterior, mas ainda positiva em todas as regiões analisadas.

Lisboa, a Península de Setúbal e os Açores também registaram variações mensais positivas de cerca de 0,3%, confirmando que não houve qualquer região com rendas a decrescer no final do ano.

Porquê este aumento persistente das rendas

O aumento das rendas em 2025 é explicado por vários fatores, incluindo a pressão contínua entre procura e oferta de habitação em muitos centros urbanos e a escassez de casas disponíveis para arrendar a preços acessíveis.

Mesmo com um abrandamento na atividade de arrendamento em alguns momentos do ano, as rendas continuaram a aumentar de forma generalizada ao longo de 2025.

A evolução demográfica, a urbanização e desafios na construção e reabilitação de alojamentos ajudam a manter as rendas elevadas, impactando sobretudo os grupos com rendimentos médios e baixos.

Inflação em Portugal desacelera para 2,3% em 2025

Paralelamente ao aumento das rendas, a inflação em Portugal registou também uma evolução importante em 2025. A variação média anual da inflação medida pelo Índice de Preços no Consumidor (IPC) fixou-se em 2,3%, abaixo da taxa registada em 2024.

Este valor decorre de uma “tendência de estabilização” observada ao longo do ano passado, com a inflação a apresentar valores muito próximos nos dois semestres de 2025. Cerca de 2,4% no primeiro e 2,2% no segundo.

Em dezembro, a inflação homóloga foi de 2,2%, taxa idêntica à observada no mês anterior. Excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos, a inflação subjacente também abrandou face a 2024, situando-se em 2,1%.

Inflação mais baixa nem sempre alivia o custo de vida

Apesar da desaceleração da inflação média, o custo de vida continua a subir em áreas específicas, como habitação e rendas. A inflação geral mais baixa reflete uma composição de preços em diversos setores, mas não compensa integralmente os aumentos observados em rubricas como arrendamento e habitação familiar.

Os preços de energia, alimentação e serviços entram de forma diversa no cálculo do IPC, o que pode explicar porque a inflação média geral descende mesmo com rendas a crescer acima da média.

Impacto no orçamento familiar

O aumento das rendas e a inflação geral influenciam o orçamento das famílias portuguesas. Para muitos agregados, as despesas com habitação representam uma fatia significativa dos gastos mensais.

O crescimento das rendas tende a reduzir a margem disponível para outras despesas essenciais, como alimentação, transportes ou poupança. Em alguns casos, famílias de renda média enfrentam um esforço financeiro maior do que aquele que se percebe apenas olhando para a taxa de inflação média.

Ligação ao crédito habitação

A evolução das rendas e da inflação também pode ter efeitos indiretos no crédito habitação. Quando os custos do arrendamento sobem mais rapidamente do que os preços de compra de casa ou a inflação média, algumas famílias podem considerar mais vantajoso recorrer ao crédito habitação para adquirir um imóvel próprio.

No entanto, o acesso ao crédito continua condicionado pela capacidade de reembolso, taxas de juro praticadas e avaliação de risco das instituições financeiras, fatores que influenciam diretamente as decisões de compra e de financiamento de habitação.

Perspetivas para 2026

Os dados de 2025 deixam antever um mercado de habitação e de consumo com desafios significativos em 2026. A combinação entre rendas em subida e inflação moderada sugere que o equilíbrio entre poder de compra e custo de vida continuará a ser um tema central nas decisões económicas das famílias.

Especialistas consideram que será necessário reforçar a oferta de habitação, promover medidas que aliviem a pressão sobre os preços e acompanhar de perto a evolução dos indicadores macroeconómicos.

A monitorização contínua de rendas e inflação será fundamental para avaliar se as pressões de preços se acomodam ou se continuam a criar dificuldades para os agregados portugueses ao longo do novo ano.