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Rafaela Guerra
Escrito por Rafaela Guerra

Licenciada em Contabilidade e Administração, sou especialista em gestão financeira e marketing. Procuro ajudar os leitores a acompanhar a atualidade e a melhorar a sua literacia financeira.

Presidenciais 2026: Seguro e Ventura vão disputar segunda volta

As eleições presidenciais em Portugal realizadas a 18 de janeiro de 2026 não produziram um vencedor na primeira volta, o que levou à marcação de uma segunda ronda de votação a 8 de fevereiro de 2026. Os dois candidatos mais votados foram António José Seguro e André Ventura, que seguem para o segundo sufrágio sem maioria absoluta no primeiro escrutínio.

As eleições presidenciais em Portugal realizadas a 18 de janeiro de 2026 não produziram um vencedor na primeira volta, o que levou à marcação de uma segunda ronda de votação a 8 de fevereiro de 2026. Os dois candidatos mais votados foram António José Seguro e André Ventura, que seguem para o segundo sufrágio sem maioria absoluta no primeiro escrutínio.

António José Seguro, apoiado pelo Partido Socialista (PS), foi o candidato mais votado na primeira volta com cerca de 31,11% dos votos, enquanto André Ventura, líder do partido Chega, obteve 23,52% dos sufrágios. Como nenhum dos concorrentes alcançou mais de 50% dos votos, a decisão final ficará para a segunda volta marcada para fevereiro.

Resultados detalhados da primeira volta

A primeira volta das presidenciais contou com a participação de vários candidatos, mas apenas dois conseguiram destaque. Em terceiro lugar ficou João Cotrim de Figueiredo, da Iniciativa Liberal, com cerca de 16% dos votos, seguido por Henrique Gouveia e Melo, independente, com 12,32%.

Luís Marques Mendes, apoiado pelo PSD, ficou em quinto lugar com 11,30% dos votos, marcando o pior desempenho histórico do partido numa eleição presidencial recente. Ainda concorreram outros candidatos com resultados mais modestos, como Catarina Martins (Bloco de Esquerda) ou António Filipe (PCP).

A elevada dispersão de votos entre vários candidatos indica um eleitorado fragmentado, com uma ausência de consenso claro em torno de uma só opção política, situação que desemboca naturalmente num confronto direto entre os dois mais votados.

Como funciona o processo eleitoral até à segunda volta

O processo eleitoral em Portugal prevê que um candidato seja eleito Presidente da República se alcançar mais de metade dos votos válidos na primeira volta. Em 2026 isso não aconteceu, desencadeando a necessidade de uma segunda volta.

Após o encerramento das urnas, os resultados são apurados em várias fases: apuramento parcial nas assembleias de voto, seguida pelo apuramento distrital e, por fim, o apuramento geral no Tribunal Constitucional. Os resultados oficiais são publicados em edital após o fim destes três momentos.

O Tribunal Constitucional publica os candidatos admitidos ao segundo sufrágio por edital, geralmente três dias após as eleições, e procede ao sorteio das candidaturas para a ordem nos boletins de voto. A campanha eleitoral para a segunda volta decorre posteriormente, entre o final de janeiro e início de fevereiro.

Campanha eleitoral e financiamento

A campanha para a segunda volta inicia-se logo após a publicação do edital que admite os candidatos. Esta fase prepara os eleitores para a votação que se realiza a 8 de fevereiro de 2026 e termina dois dias antes dessa data.

Quanto ao financiamento das campanhas, a lei prevê um valor-base de subvenção pública calculado a partir do Indexante dos Apoios Sociais (IAS), que financia as despesas até um teto definido. Na segunda volta, esse limite é acrescido de um montante adicional previsto na lei. As campanhas também podem recorrer a donativos, angariações de fundos e contribuições de partidos.

Voto antecipado e no estrangeiro

Os eleitores que desejam votar antecipadamente em mobilidade podem fazê-lo no dia anterior à eleição marcada para 8 de fevereiro, devendo requisitar o voto antecipado por via eletrónica ou postal.

Os portugueses recenseados no estrangeiro também têm períodos definidos para votar, geralmente entre os dias imediatamente anteriores à eleição. Estas opções buscam garantir a participação do maior número possível de cidadãos, inclusive aqueles que se encontram fora de Portugal no dia do escrutínio.

Importância da segunda volta

A segunda volta é um momento decisivo porque confronta os dois candidatos com maior apoio popular na primeira ronda. Esta regra garante que o Presidente eleito tenha uma maioria relativa de votos entre os dois finalistas.

Em 1986 Portugal realizou a última segunda volta presidencial até agora, com Mário Soares a vencer Freitas do Amaral. A repetição deste cenário em 2026 demonstra a competitividade e fragmentação atual do eleitorado.

Contexto político e desafios

A eleição presidencial de 2026 ocorre num contexto de fragmentação partidária e forte presença de vozes políticas distintas. A presença de um candidato de direita mais radical e de um candidato de centro-esquerda na corrida final reflete uma paisagem política em mudança.

Embora a Presidência da República em Portugal tenha um papel em grande parte cerimonial, o titular do cargo detém competências importantes como vetar legislação ou dissolver o Parlamento. Estas prerrogativas tornam a eleição apelativa para eleitores preocupados com estabilidade política e o futuro das instituições.

Expectativas para a segunda volta

Nas semanas que antecedem o segundo sufrágio, espera-se que as campanhas se intensifiquem e que os eleitores reflitam sobre os programas e visões de cada um dos finalistas. A mobilização de eleitores que apoiaram outros candidatos na primeira volta pode ser determinante para o resultado final.

Analistas sugerem que o candidato mais votado na primeira volta procura agora alargar o seu apelo a eleitores centristas e independentes, enquanto o segundo classificado tenta consolidar e expandir a sua base de apoio para ultrapassar a diferença de votos.