O mercado de arrendamento em Portugal continua a atravessar uma fase de forte pressão, após vários anos de subidas acentuadas das rendas. Em 2025, o aumento dos preços manteve se generalizado em grande parte do país, refletindo um desequilíbrio persistente entre a procura e a oferta de casas para arrendar.
Ao longo do ano, o arrendamento permaneceu como a principal solução habitacional para muitas famílias, num contexto em que o acesso à compra de casa continua condicionado por preços elevados e exigências financeiras. Esta realidade reforçou a importância do mercado de arrendamento no sistema habitacional português.
Nos últimos meses de 2025, começaram a surgir sinais de ajustamento na dinâmica das rendas. Embora os preços se mantenham elevados, os dados mais recentes apontam para mudanças no ritmo de crescimento, num mercado que entra em 2026 ainda longe do equilíbrio.
Rendas sobem menos no final de 2025
No último trimestre de 2025, o preço das casas para arrendar em Portugal registou um abrandamento no ritmo de crescimento. Esta evolução marca uma mudança face à tendência de subidas muito acentuadas observadas ao longo do ano, embora não represente uma descida efetiva dos valores.
A desaceleração reflete, em parte, uma adaptação do mercado a preços já muito elevados. Em várias zonas, a capacidade financeira dos inquilinos começa a limitar novos aumentos, levando os senhorios a ajustar expectativas.
Balanço anual confirma aumento acumulado das rendas
Apesar do abrandamento no final do ano, 2025 terminou com rendas claramente mais elevadas do que no seu início. Ao longo do ano, os preços subiram de forma consistente, impulsionados por uma procura forte e por uma oferta insuficiente de casas para arrendar.
Este movimento confirma que o arrefecimento observado nos últimos meses não anula o impacto acumulado dos aumentos registados ao longo de todo o ano, mantendo o arrendamento num patamar historicamente elevado.
Procura perde fôlego, mas continua superior à oferta
Um dos fatores que explica o abrandamento no ritmo de subida das rendas é a perda de fôlego da procura ao longo de 2025. Com preços mais altos, alguns potenciais inquilinos adiaram decisões ou procuraram alternativas em zonas periféricas.
Ainda assim, a procura continua superior à oferta disponível, sobretudo nos principais centros urbanos. Lisboa, Porto e áreas envolventes mantêm uma pressão elevada sobre o mercado, com poucas opções a preços considerados acessíveis.
Oferta cresce, mas de forma insuficiente
No final de 2025 registou se um aumento moderado do número de casas disponíveis para arrendar em Portugal. Esta maior oferta contribuiu para travar a aceleração das rendas em algumas regiões, mas não foi suficiente para provocar uma correção significativa dos preços.
A escassez de nova construção destinada ao arrendamento e a retenção de imóveis fora do mercado continuam a limitar a capacidade de resposta da oferta, prolongando os desequilíbrios existentes.
Diferenças regionais mantêm se acentuadas
A evolução do mercado de arrendamento não é homogénea em todo o país. As regiões com maior dinamismo económico e maior concentração populacional continuam a apresentar rendas muito superiores à média nacional.
Em zonas do interior e em concelhos com menor pressão demográfica, os aumentos foram mais moderados. Ainda assim, mesmo nestas áreas, os preços tendem a manter se acima dos níveis de anos anteriores.
Impacto no orçamento das famílias
A manutenção de rendas elevadas continua a ter um impacto direto no orçamento das famílias portuguesas. Para muitos agregados, o custo do arrendamento representa uma parte significativa do rendimento mensal, reduzindo a margem disponível para outras despesas essenciais.
Esta pressão tem reflexos na mobilidade habitacional, na capacidade de poupança e na estabilidade financeira dos inquilinos, sobretudo entre jovens e famílias com rendimentos médios.
Arrendamento continua a ser a única opção para muitos
Apesar das dificuldades, o arrendamento continua a ser a única solução habitacional para uma parte significativa da população.
Ao mesmo tempo, o acesso à compra de habitação permaneceu condicionado por preços elevados e pelas condições do crédito habitação. Para muitas famílias, as exigências de entrada inicial e os encargos mensais associados ao financiamento limitaram a transição do arrendamento para a compra.
Neste contexto, o mercado de arrendamento assume um papel central, mesmo com valores elevados, funcionando como alternativa para quem não consegue ou não pretende recorrer à compra.
Perspetivas para 2026 apontam para estabilização
As tendências observadas no final de 2025 sugerem que 2026 poderá trazer alguma estabilização no mercado de arrendamento. O ritmo de subida das rendas deverá manter se mais moderado, embora não se antecipe uma descida generalizada dos preços.
Analistas consideram que apenas um reforço significativo da oferta, através de nova construção, reabilitação e políticas de arrendamento acessível, poderá conduzir a uma redução mais sustentada da pressão sobre os preços.
Um mercado ainda longe do equilíbrio
Apesar dos sinais de abrandamento, o mercado de arrendamento em Portugal continua longe de um equilíbrio entre oferta e procura. As rendas mantêm se elevadas e o acesso à habitação permanece um dos principais desafios económicos e sociais do país.
Enquanto não houver mudanças estruturais que aumentem a oferta e melhorem a acessibilidade, o arrendamento continuará a ser marcado por preços altos, mesmo num cenário de crescimento mais lento das rendas.