Intermediação de Crédito
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Rafaela Guerra
Escrito por Rafaela Guerra

Licenciada em Contabilidade e Administração, sou especialista em gestão financeira e marketing. Procuro ajudar os leitores a acompanhar a atualidade e a melhorar a sua literacia financeira.

Juros no crédito à habitação descem para 3,111% em janeiro e atingem mínimo desde 2023

A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação voltou a recuar em janeiro, prolongando a trajetória descendente iniciada há cerca de dois anos. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o indicador fixou-se em 3,111%, abaixo dos 3,130% registados em dezembro de 2025.

A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação voltou a recuar em janeiro, prolongando a trajetória descendente iniciada há cerca de dois anos. Segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), o indicador fixou-se em 3,111%, abaixo dos 3,130% registados em dezembro de 2025.

Este valor representa o nível mais baixo desde 2023 e confirma uma tendência de ajustamento gradual após o período de forte subida das taxas de juro verificado em 2022 e 2023.

A taxa implícita reflete o custo médio efetivo dos empréstimos à habitação em vigor, tendo em conta o conjunto dos contratos existentes no sistema bancário.

Novos contratos mantêm taxa abaixo da média

Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro implícita também registou uma ligeira descida, passando de 2,850% para 2,847% em janeiro.

Apesar da variação residual, o indicador mostra que os novos empréstimos continuam a apresentar taxas inferiores à média do total dos contratos em carteira.

Esta diferença explica-se pelo facto de muitos contratos antigos ainda refletirem condições estabelecidas durante o período de taxas mais elevadas.

A renovação gradual das condições de crédito e a revisão das taxas indexadas, através da renegociação, têm contribuído para este ajustamento progressivo.

Prestação média fixa-se nos 399 euros

Em janeiro, a prestação média mensal dos contratos de crédito à habitação aumentou dois euros face ao mês anterior, fixando-se em 399 euros. Este valor é idêntico ao registado em janeiro de 2025.

De acordo com o INE, os juros representaram 48,9% do valor médio da prestação, o que significa que praticamente metade do pagamento mensal corresponde a encargos financeiros.

Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a prestação média situou-se em 676 euros, mais um euro do que em dezembro e 12,5% acima do valor registado no mesmo mês do ano anterior.

O aumento face ao ano passado reflete o maior montante financiado e as condições associadas aos novos contratos.

Capital médio em dívida continua a subir

O capital médio em dívida nos contratos de crédito à habitação aumentou 724 euros em janeiro, atingindo 75.994 euros.

Este crescimento está associado à valorização do mercado imobiliário nos últimos anos e ao aumento do montante financiado nas novas operações.

Mesmo com a descida das taxas, o aumento do capital em dívida contribui para manter as prestações em patamares elevados.

A evolução do montante médio financiado tem impacto direto no esforço financeiro das famílias.

Dois anos de descidas após ciclo de subida

A redução agora observada prolonga uma tendência iniciada em 2024, depois de um período de forte subida das taxas de juro motivado pelo aperto da política monetária na área do euro.

Desde os máximos registados em 2023, o indicador tem vindo a recuar de forma gradual, acompanhando a estabilização dos indexantes de mercado.

Ainda assim, o nível atual permanece acima dos valores observados antes do ciclo de subida, o que significa que o custo do crédito continua superior ao registado no período pré-2022.

A trajetória descendente, embora moderada, sinaliza maior estabilidade nas condições de financiamento.

Impacto no orçamento das famílias

Para os mutuários com contratos indexados a taxa variável, a descida da taxa implícita pode traduzir-se numa estabilização ou ligeira redução da prestação mensal, dependendo do momento de revisão do contrato.

No entanto, o peso dos juros continuar a representar quase metade da prestação demonstra que o encargo financeiro permanece significativo.

O aumento do capital médio em dívida e das prestações nos contratos mais recentes indica que o acesso à compra continua condicionado pelo valor dos imóveis.

A evolução futura das taxas de juro e do mercado imobiliário será determinante para perceber se esta tendência de descida se consolida ou se estabiliza nos níveis atuais, mantendo o crédito à habitação como um dos principais encargos do orçamento familiar em Portugal.