O mercado do crédito em Portugal assistiu, em 2024, a uma transformação significativa no papel dos intermediários de crédito. Estes passaram a ter uma presença dominante, sobretudo no crédito para compra de habitação, mas também no crédito ao consumo e automóvel.
De acordo com dados do Banco de Portugal, os intermediários foram responsáveis por 56% dos contratos de crédito à habitação celebrados em 2024 e por 57% do montante concedido. Apenas um ano antes, a sua participação rondava os 20%, evidenciando um crescimento muito rápido.
No crédito ao consumo, também se registaram aumentos. Em 2024, os intermediários foram responsáveis por quase metade (49,9%) do montante total concedido, face a 45,2% em 2023. Os contratos aumentaram 5% e o valor concedido cresceu 10%.
O crédito automóvel (muito é direcionado a carros elétricos) é o segmento onde o peso é mais expressivo. Em 2024, 83,1% do montante concedido passou por intermediários de crédito, consolidando a sua posição dominante neste mercado.
O relatório anual do Banco de Portugal destaca ainda que os novos contratos estão a ser concedidos com maior prudência. Em 2024, 92% das operações foram feitas com taxas de esforço (DSTI) iguais ou inferiores a 50%, refletindo uma melhoria face ao ano anterior.
Já em 2025, os primeiros dados disponíveis confirmam a tendência de crescimento. No primeiro semestre, os intermediários continuaram a aumentar o número de operações e o volume financiado, reforçando a sua influência no acesso das famílias ao crédito.
Em paralelo, houve também alterações regulatórias. Desde julho de 2025, os intermediários de crédito passaram a poder publicitar a sua própria marca, medida que lhes concede maior visibilidade num mercado em expansão.
Com mais peso nos vários segmentos e maior reconhecimento institucional, os intermediários de crédito assumem-se hoje como um dos principais canais de acesso ao financiamento em Portugal.