Os Estados Unidos estão a considerar permitir hipotecas com prazo de 50 anos. Esta opção promete reduzir o valor mensal da prestação, mas que levanta várias dúvidas e críticas.
A proposta parte da responsabilidade da agência federal encarregada de supervisionar os créditos à habitação nos EUA. Em teoria, prolongar o prazo do empréstimo permite que a mensalidade desça: para uma casa com preço médio de 415.200 dólares, com entrada de 10% e taxa de juro de 6,17%, a prestação mensal numa hipoteca de 30 anos seria de 2.288 dólares, enquanto numa de 50 anos cairia para 2.022 dólares.
Contudo esse alívio aparente traz custos significativos a longo prazo. Com um prazo mais longo, grande parte da prestação continua a servir para pagar juros, e a amortização de capital demora muito mais tempo. Para atingir os 100.000 dólares de capital próprio seriam necessários 30 anos com o plano de 50 anos, contra apenas 12 a 13 anos com o crédito tradicional de 30 anos.
Especialistas alertam que um empréstimo mais longo pode duplicar o montante total de juros pagos ao longo da vida da dívida. Outro problema: muitos compradores na casa dos 40 anos poderiam continuar a pagar a hipoteca até perto dos 90 anos de idade, dificultando a concessão de crédito e complicando planos de reforma.
Esta discussão sobre hipotecas de longo prazo evidencia a importância de avaliar cuidadosamente um pedido de crédito para habitação. A extensão do prazo pode parecer atrativa à primeira vista, mas o custo total e o ritmo lento de criação de património próprio tornam esta solução controversa.