Os bancos concederam 1.540 milhões de euros em novos créditos à habitação em janeiro de 2026, segundo os dados publicados pelo Banco de Portugal. O valor representa um aumento homólogo próximo de 30% face aos cerca de 1.190 milhões de euros registados em janeiro de 2025.
Em comparação com dezembro, quando tinham sido contratados aproximadamente 1.470 milhões de euros, verificou-se também um crescimento em cadeia mensal. Trata-se de um dos valores mensais mais elevados desde 2022, confirmando a recuperação da procura por financiamento para compra de casa.
No total, foram celebrados mais de 9.000 novos contratos de crédito à habitação, número superior ao observado no período homólogo.
Crédito para compra de casa lidera concessão
Do total de 1.540 milhões de euros, a maioria corresponde a empréstimos para aquisição de habitação própria permanente, que continuam a representar a principal finalidade do crédito concedido às famílias.
O montante médio por operação situou-se em torno dos 170 mil euros, refletindo tanto a valorização dos imóveis como a manutenção de prazos longos de financiamento.
O stock total de crédito à habitação fixou-se acima dos 100 mil milhões de euros, apresentando uma variação homóloga ligeiramente positiva, depois de vários meses de contração ou estagnação.
A taxa de variação anual do saldo em dívida aproximou-se de 1%, sinalizando estabilização do endividamento neste segmento.
Taxa de juro média desce para 3,9%
A taxa de juro média dos novos contratos de crédito à habitação desceu para cerca de 3,9%, menos 0,1 pontos percentuais do que em dezembro e abaixo dos máximos superiores a 4,5% registados em 2023.
Este recuo acompanha a evolução das taxas Euribor e contribui para aliviar, ainda que de forma gradual, o esforço financeiro associado aos novos empréstimos.
No conjunto do crédito à habitação, incluindo contratos antigos e novos, a taxa média situou-se em torno de 4,2%, refletindo ainda o impacto de contratos celebrados num contexto de taxas mais elevadas.
As maturidades médias mantiveram-se próximas dos 30 anos, confirmando a predominância de prazos longos no financiamento da compra de casa.
Crédito ao consumo ultrapassa 600 milhões
No crédito ao consumo e outros fins, os novos empréstimos totalizaram cerca de 620 milhões de euros em janeiro, o que representa uma subida homóloga superior a 10%.
Dentro desta categoria, o crédito pessoal sem finalidade específica representou aproximadamente 270 milhões de euros, enquanto o crédito automóvel rondou os 190 milhões de euros.
As taxas de juro médias nestes segmentos continuam significativamente mais elevadas do que no crédito à habitação, situando-se acima de 8% no crédito pessoal e perto de 7% no crédito automóvel.
O saldo total do crédito ao consumo ultrapassou os 20 mil milhões de euros, mantendo uma trajetória de crescimento anual.
Conjunto do crédito às famílias cresce 2%
Somando habitação e consumo, o total de novos empréstimos às famílias em janeiro aproximou-se dos 2.200 milhões de euros.
A taxa de variação anual do crédito total às famílias situou-se em cerca de 2%, reforçando a tendência de recuperação iniciada na segunda metade de 2025.
O número total de novos contratos de crédito, incluindo todos os segmentos, ultrapassou os 15 mil, evidenciando maior dinamismo na atividade bancária.
Apesar da retoma, as instituições continuam a aplicar critérios rigorosos de avaliação da taxa de esforço e da capacidade de reembolso, em linha com as recomendações macroprudenciais.
Início de ano marcado por retoma do financiamento
Os dados de janeiro indicam que 2026 arrancou com uma aceleração clara na concessão de crédito à habitação, tanto em montante como em número de operações.
A combinação entre descida gradual das taxas médias, estabilização do stock e crescimento homólogo significativo dos novos contratos sugere um ambiente mais favorável ao financiamento.
Ainda assim, o nível das taxas permanece acima dos mínimos históricos, o que significa que o custo do crédito continua a ser um fator determinante nas decisões das famílias.
A evolução nos próximos meses dependerá da trajetória das taxas de juro de mercado e da dinâmica do setor imobiliário, mas os números agora divulgados apontam para um arranque de ano com maior intensidade na atividade creditícia.