O valor mediano de avaliação bancária na habitação fixou-se em 2.105 euros por metro quadrado em janeiro de 2026, o nível mais elevado desde que há registos. Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística revelam uma subida de 2,3% face a dezembro e um aumento homólogo de 7,8%.
Em termos absolutos, o valor mediano subiu 47 euros por metro quadrado em comparação com o mesmo mês do ano passado. Face ao mês anterior, o acréscimo foi de cerca de 20 euros por metro quadrado, consolidando a trajetória ascendente que se verifica há vários meses.
Foram realizadas aproximadamente 28 mil avaliações bancárias, número semelhante ao registado em janeiro de 2025, o que indica estabilidade na atividade de pedidos de crédito.
Apartamentos superam 2.300 euros por metro quadrado
O valor mediano de avaliação dos apartamentos atingiu 2.324 euros por metro quadrado, refletindo uma variação homóloga de 8,6%. Em termos mensais, o aumento foi de cerca de 2,5%.
Nas moradias, o valor mediano fixou-se em 1.885 euros por metro quadrado, representando um crescimento de 6,9% face a janeiro de 2025. Em cadeia mensal, a subida rondou 1,8%.
A diferença entre tipologias mantém-se significativa, com os apartamentos a apresentarem um valor médio superior em cerca de 439 euros por metro quadrado face às moradias.
Lisboa, Algarve e Madeira lideram
A Área Metropolitana de Lisboa registou o valor mediano mais elevado do país, situando-se em 2.890 euros por metro quadrado, após uma variação homóloga de cerca de 6%.
No Algarve, o valor mediano fixou-se em 2.540 euros por metro quadrado, com uma subida anual superior a 7%. A Região Autónoma da Madeira apresentou um valor próximo dos 2.300 euros por metro quadrado, também com crescimento homólogo relevante.
Em contraste, regiões como o Alentejo e o Centro mantêm valores inferiores à média nacional, situando-se abaixo dos 1.400 euros por metro quadrado, apesar de registarem aumentos superiores a 8% em termos anuais.
Evolução sustentada no arranque do ano
Comparando com janeiro de 2023, o valor mediano nacional aumentou mais de 300 euros por metro quadrado, o que representa uma valorização acumulada superior a 16% em dois anos.
O indicador reflete o valor considerado pelos bancos para efeitos de concessão de crédito, podendo diferir do preço final de transação, mas tende a acompanhar a tendência do mercado.
A manutenção de taxas de crescimento acima dos 7% em termos homólogos confirma que o mercado residencial continua a valorizar, apesar do contexto económico mais exigente.
Implicações para o crédito à habitação
A subida para 2.105 euros por metro quadrado tem impacto direto no financiamento. Como o montante máximo de crédito depende da percentagem aplicada sobre o valor de avaliação, imóveis avaliados por valores mais elevados podem permitir empréstimos de maior dimensão.
Por exemplo, num imóvel avaliado em 210 mil euros, um rácio de financiamento de 90% poderá traduzir-se num crédito até 189 mil euros, dependendo do perfil do cliente e da taxa de esforço.
Ao mesmo tempo, a valorização implica que os compradores necessitam de capitais próprios mais elevados para suportar a parte não financiada e os custos associados à aquisição.
Num cenário de ajustamento gradual das taxas de juro, a conjugação entre valores de avaliação recorde e condições de financiamento continua a ser determinante para a dinâmica do mercado.
Mercado mantém pressão sobre compradores
O novo máximo histórico nas avaliações bancárias reforça a tendência de valorização que se tem observado desde 2024. Em várias regiões, os aumentos homólogos superam a média nacional, demonstrando que a pressão sobre os preços não se limita aos grandes centros urbanos.
Com cerca de 28 mil avaliações realizadas apenas em janeiro, o volume de operações indica que a procura por crédito à habitação se mantém ativa.
Os dados do Instituto Nacional de Estatística mostram assim que 2026 começou com o mercado residencial em níveis historicamente elevados, tanto em termos de preço por metro quadrado como de intensidade da atividade de avaliação bancária.