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Rafaela Guerra
Escrito por Rafaela Guerra

Licenciada em Contabilidade e Administração, sou especialista em gestão financeira e marketing. Procuro ajudar os leitores a acompanhar a atualidade e a melhorar a sua literacia financeira.

Nova licença parental garante seis meses com salário a 100% e avança para regulamentação

O Parlamento aprovou em votação final global a extensão da licença parental a seis meses com remuneração a 100%, uma das medidas de maior impacto social previstas no Orçamento do Estado para 2026. A iniciativa visa reforçar o apoio às famílias, incentivando a conciliação entre a vida profissional e a parentalidade.

A proposta foi aprovada com o apoio de várias forças políticas, embora tenha suscitado debate entre os partidos sobre o impacto orçamental e as implicações para a sustentabilidade das contas públicas. O resultado reflete uma prioridade política na promoção de medidas de apoio à natalidade e à proteção social.

O que muda com a nova licença parental

Com a nova lei, os progenitores passam a ter direito a seis meses de licença parental inicial remunerada a 100%, sem cortes no salário habitual durante esse período. Esta extensão representa um aumento face ao regime anterior, que previa períodos mais curtos de remuneração integral.

A medida aplica-se a todos os trabalhadores por conta de outrem e inclui situações de adoção, garantindo às famílias mais tempo para acompanhar o desenvolvimento inicial dos filhos sem perda de rendimento.

Fases de implementação da medida

A entrada em vigor da licença parental depende agora de publicação em Diário da República e da execução de regulamentos complementares. O Governo terá de definir prazos e procedimentos administrativos para que esta alteração seja aplicada de forma eficaz.

Os ministérios do Trabalho e da Solidariedade Social têm a responsabilidade de coordenar a implementação, incluindo a atualização de plataformas de registo e a comunicação aos empregadores.

Critérios de elegibilidade e requisitos

Para beneficiar da licença parental alargada, os progenitores devem cumprir os critérios gerais de acesso à segurança social, incluindo um período mínimo de contribuições. Estes requisitos serão detalhados nos regulamentos que acompanham a lei.

A extensão prevista abrange também trabalhadores independentes que comprovem atividade relevante e contribuição para a segurança social, ampliando o alcance da medida a perfis profissionais mais diversos.

Debate político e social

Partidos que apoiaram a medida destacaram a importância de reforçar o apoio às famílias e a igualdade de género, nomeadamente ao permitir que ambos os progenitores possam usufruir da licença alargada.

Por outro lado, vozes críticas alertaram para o impacto orçamental e a necessidade de garantir sustentabilidade financeira ao longo do tempo. Alguns deputados pediram mecanismos de avaliação periódica da eficácia da medida e dos seus efeitos socioeconómicos.

Impacto no emprego e na vida familiar

Especialistas em políticas públicas afirmam que uma licença parental mais extensa e melhor remunerada pode ter efeitos positivos na participação feminina no mercado de trabalho e na saúde familiar. Dar mais tempo às famílias nos primeiros meses de vida da criança pode contribuir para melhores indicadores de bem-estar e de conciliação familiar.

Ao mesmo tempo, a medida será acompanhada de análises sobre possíveis impactos nos mercados de trabalho e nas pequenas empresas, que poderão ter de ajustar práticas de gestão de recursos humanos para acomodar ausências prolongadas.

Orçamento e sustentabilidade

O custo estimado da extensão da licença parental será integrado no orçamento da segurança social e do Orçamento do Estado para 2026. O Governo afirma que esta alteração foi ponderada no quadro da dotação global e que as medidas sociais previstas mantêm se equilibradas em termos de suporte financeiro.

A sustentabilidade da medida ao longo dos próximos anos dependerá da evolução demográfica, do emprego e da contribuição para a segurança social, fatores que influenciam diretamente a liquidez e capacidade de financiamento do sistema.

Ligação ao crédito pessoal e familiar

A extensão da licença parental remunerada pode ter efeitos indiretos nas decisões de crédito pessoal e familiar. Com uma maior estabilidade de rendimento durante o período inicial de parentalidade, algumas famílias podem encontrar mais margem de manobra para planear despesas familiares ou investir em consumo duradouro.

Esta maior previsibilidade financeira pode também influenciar a capacidade de contrair crédito habitação ou pessoal ao longo do ano, uma vez que os bancos consideram os rendimentos estáveis no cálculo da taxa de esforço e na avaliação de risco.

O que esperar nos próximos meses

Com a aprovação final, o foco passa agora para os detalhes técnicos da implementação. O Governo e os parceiros sociais terão de desenvolver os regulamentos que concretizam a lei para que a medida seja aplicada de forma clara para trabalhadores e empregadores.

Nas próximas semanas serão divulgados os prazos definitivos e os requisitos administrativos, incluindo a forma como os empregadores deverão processar as licenças na folha de pagamento. A comunicação institucional será chave para garantir que a transição decorre sem entraves.