O mês de agosto trouxe sinais mistos para a economia portuguesa. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a confiança dos consumidores recuou, enquanto o clima económico, medido junto das empresas, voltou a melhorar.
Do lado das famílias, o indicador de confiança caiu depois da subida registada em julho. Esta descida resulta sobretudo das expectativas mais negativas em três pontos-chave: a evolução da economia do país, a situação financeira dos agregados familiares e a intenção de fazer compras de maior valor.
Já as opiniões sobre a situação financeira passada mantiveram-se praticamente inalteradas.
Em contrapartida, nas empresas o cenário foi diferente. O indicador de clima económico voltou a aumentar, prolongando a recuperação que começou em abril.
A melhoria foi sentida sobretudo nos serviços, na indústria transformadora e no comércio. Apenas a construção e as obras públicas registaram uma quebra de confiança.
Este contraste revela uma economia em duas velocidades. Enquanto os consumidores mostram maior prudência face ao futuro, as empresas dão sinais de otimismo e parecem acreditar numa retoma mais consistente da atividade.
Para muitos consumidores, esta prudência está também ligada à necessidade de gerir melhor o orçamento e ponderar decisões de maior impacto financeiro, como o recurso a crédito.
Para os analistas, a evolução nos próximos meses dependerá do equilíbrio entre estas duas tendências: a cautela das famílias, que condiciona o consumo, e a confiança das empresas, essencial para o investimento e para a criação de emprego.