O Banco de Portugal divulgou que a rentabilidade das instituições bancárias portuguesas recuou no primeiro trimestre deste ano, em comparação com os primeiros três meses de 2024.
O retorno sobre o ativo (ROA) caiu para 1,29%, registando uma descida de 0,11 pontos percentuais face ao período homólogo. Já o retorno sobre o capital próprio (ROE) fixou-se em 13,94%, valor inferior em 1,54 pontos percentuais relativamente ao trimestre anterior.
Esta quebra foi atribuída principalmente à redução da margem financeira, a diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e os juros pagos nos depósitos. Essa quebra resulta de uma descida das taxas de juro aplicadas aos créditos, tanto a empresas como a particulares.
Apesar destas quedas, o desempenho foi ligeiramente aliviado por uma diminuição das provisões e imparidades, o que ajudou a conter os impactos negativos nos resultados.
As cinco maiores entidades bancárias, incluindo Caixa Geral de Depósitos (CGD), Santander Totta, Millennium BCP, Novo Banco e BPI, obtiveram lucros agregados de 1.218,6 milhões de euros no primeiro trimestre de 2025. Esse valor representa uma redução de apenas 0,5% face ao mesmo período de 2024 – ou seja, menos 6,5 milhões de euros.
Este cenário pinta um quadro de pressão crescente sobre o setor bancário. A diminuição das taxas de juro reduziu o diferencial entre o que os bancos cobram e pagam. Ao mesmo tempo, os resultados operacionais continuam relativamente sólidos, graças à contenção de perdas inesperadas associadas às provisões.
Perspetivas futuras podem depender da evolução das taxas de juro, em particular das decisões do Banco Central Europeu, e da capacidade dos bancos em manter a eficiência na gestão de riscos e custos.