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Rafaela Guerra
Escrito por Rafaela Guerra

Licenciada em Contabilidade e Administração, sou especialista em gestão financeira e marketing. Procuro ajudar os leitores a acompanhar a atualidade e a melhorar a sua literacia financeira.

Banco de Portugal alerta para quebra na rentabilidade da banca

Banco de Portugal regista queda na rentabilidade da banca

O Banco de Portugal divulgou que a rentabilidade das instituições bancárias portuguesas recuou no primeiro trimestre deste ano, em comparação com os primeiros três meses de 2024.

O retorno sobre o ativo (ROA) caiu para 1,29%, registando uma descida de 0,11 pontos percentuais face ao período homólogo. Já o retorno sobre o capital próprio (ROE) fixou-se em 13,94%, valor inferior em 1,54 pontos percentuais relativamente ao trimestre anterior.

Esta quebra foi atribuída principalmente à redução da margem financeira, a diferença entre os juros cobrados nos empréstimos e os juros pagos nos depósitos. Essa quebra resulta de uma descida das taxas de juro aplicadas aos créditos, tanto a empresas como a particulares.

Apesar destas quedas, o desempenho foi ligeiramente aliviado por uma diminuição das provisões e imparidades, o que ajudou a conter os impactos negativos nos resultados.

As cinco maiores entidades bancárias, incluindo Caixa Geral de Depósitos (CGD), Santander Totta, Millennium BCP, Novo Banco e BPI, obtiveram lucros agregados de 1.218,6 milhões de euros no primeiro trimestre de 2025. Esse valor representa uma redução de apenas 0,5% face ao mesmo período de 2024 – ou seja, menos 6,5 milhões de euros.

Este cenário pinta um quadro de pressão crescente sobre o setor bancário. A diminuição das taxas de juro reduziu o diferencial entre o que os bancos cobram e pagam. Ao mesmo tempo, os resultados operacionais continuam relativamente sólidos, graças à contenção de perdas inesperadas associadas às provisões.

Perspetivas futuras podem depender da evolução das taxas de juro, em particular das decisões do Banco Central Europeu, e da capacidade dos bancos em manter a eficiência na gestão de riscos e custos.