Cerca de 20 dos 50 municípios mais procurados para arrendar casa em Portugal apresentam rendas médias inferiores a 1.000 euros, com valores que chegam mesmo aos 568 euros mensais.
Os dados mostram um mercado profundamente desigual, onde os preços mais baixos se concentram sobretudo no interior e em cidades de média dimensão, enquanto os valores mais elevados continuam ligados a zonas urbanas e turísticas.
Municípios mais baratos: rendas começam nos 568 euros
Entre os concelhos com maior procura, os mais acessíveis situam-se maioritariamente fora dos grandes centros. Covilhã lidera como o município mais barato (568 euros), seguida por Bragança (619 euros) e Castelo Branco (620 euros).
Também com valores reduzidos surgem Pombal (682 euros), Abrantes (701 euros) e Torres Novas (729 euros), confirmando uma tendência clara de preços mais baixos no interior do país.
Outros exemplos incluem Viseu (762 euros), Beja (769 euros) e Oliveira de Azeméis (781 euros), bem como Guimarães (840 euros) e Amarante (836 euros). Já próximo da fasquia dos 1.000 euros aparecem Santarém (933 euros), Évora (988 euros) e Valongo (993 euros).
Este conjunto de dados demonstra que, mesmo entre os municípios mais procurados, existem opções significativamente mais acessíveis, algo relevante num contexto em que o acesso ao crédito habitação exige cada vez maior controlo da taxa de esforço.
Grandes centros e zonas turísticas concentram rendas mais elevadas
No extremo oposto, os valores mais altos estão concentrados em cidades com forte pressão urbanística e turística. Funchal lidera com uma renda média de 1.956 euros, seguido por Lisboa (1.772 euros) e Faro (1.710 euros).
Também na Área Metropolitana de Lisboa se destacam Oeiras (1.694 euros), Seixal (1.608 euros) e Sintra (1.535 euros), além de Almada (1.498 euros) e Palmela (1.497 euros).
Outros mercados turísticos, como Albufeira (1.572 euros), e zonas em crescimento, como Montijo (1.577 euros), reforçam a tendência de preços elevados em áreas com maior procura.
Nestes territórios, a escassez de oferta e a elevada procura continuam a pressionar os preços, dificultando o acesso à habitação e prolongando a permanência no arrendamento.
Diferenças de mais de 1.300 euros entre municípios
A disparidade no mercado é evidente. A diferença entre o município mais barato (Covilhã, 568 euros) e o mais caro (Funchal, 1.956 euros) ultrapassa os 1.300 euros mensais.
Mesmo dentro dos municípios mais procurados, esta variação mostra que a localização é o principal fator determinante no valor da renda. Enquanto algumas zonas permitem encargos mais reduzidos, outras exigem um esforço financeiro muito superior.
Para muitas famílias, esta diferença pode ser decisiva na escolha da localização ou até na decisão entre arrendar ou avançar para compra, depois de avaliar a credit score.
Procura mantém-se elevada em todo o território
Apesar das diferenças de preços, a procura por arrendamento continua elevada em praticamente todo o país. A dificuldade de acesso à compra de casa, associada ao contexto de financiamento, mantém muitos agregados no mercado de arrendamento.
Ao mesmo tempo, os dados mostram que municípios mais baratos estão entre os mais procurados, o que indica uma crescente procura por alternativas fora dos grandes centros.
Este movimento poderá, a médio prazo, contribuir para uma maior pressão sobre os preços também nestas zonas mais acessíveis.
Impacto direto no orçamento das famílias
A diferença entre pagar menos de 600 euros ou quase 2.000 euros de renda tem um impacto profundo no orçamento mensal. Esta variação influencia diretamente a capacidade de poupança e a estabilidade financeira das famílias.
Num cenário em que os encargos com habitação continuam elevados, encontrar rendas abaixo dos 1.000 euros pode ser determinante. Em alguns casos, o valor da renda aproxima-se da prestação da casa, levando muitas famílias a ponderar alternativas.
Os dados confirmam assim um mercado dual: por um lado, 20 municípios com rendas abaixo dos 1.000 euros; por outro, zonas urbanas e turísticas onde os preços permanecem elevados e a pressão sobre os arrendatários continua significativa.