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Rafaela Guerra
Escrito por Rafaela Guerra

Licenciada em Contabilidade e Administração, sou especialista em gestão financeira e marketing. Procuro ajudar os leitores a acompanhar a atualidade e a melhorar a sua literacia financeira.

Rendas das casas descem 1,9% em janeiro e recuam pelo terceiro mês consecutivo

As rendas das casas para arrendar em Portugal caíram 1,9% em janeiro, em termos homólogos, segundo o índice de preços divulgado pelo idealista. Esta descida confirma uma tendência já observada nos meses anteriores, com os preços a recuarem pelo terceiro mês consecutivo.

As rendas das casas para arrendar em Portugal caíram 1,9% em janeiro, em termos homólogos. Esta descida confirma uma tendência já observada nos meses anteriores, com os preços a recuarem pelo terceiro mês consecutivo.

Depois de um período prolongado de subidas, o início de 2026 traz sinais de abrandamento no mercado de arrendamento. A correção surge num contexto de maior ajustamento entre oferta e procura, ainda que os valores continuem elevados para a maioria das famílias.

A evolução das rendas acontece numa altura em que o crédito à habitação continua condicionado por taxas de juro elevadas, mantendo as prestações da casa em níveis exigentes. Para muitos agregados, a compra de casa continua fora do alcance, o que sustenta a procura no mercado de arrendamento.

Apesar da redução recente, os valores das rendas continuam elevados em grande parte do país, sobretudo nos principais centros urbanos. Ainda assim, os dados apontam para um ligeiro alívio no mercado de arrendamento no início de 2026, depois de vários meses em máximos históricos.

Preço médio afasta-se dos máximos de 2025

O preço mediano das rendas fixou-se em 16,1 euros por metro quadrado (€/m²) no final de janeiro. Este valor fica abaixo do máximo histórico de 17 €/m², registado em outubro de 2025.

A queda acumulada nos últimos três meses atinge 5,3%, sugerindo uma correção após um período prolongado de forte pressão sobre os preços. Ainda assim, o nível atual permanece elevado quando comparado com os anos anteriores à crise habitacional.

Este comportamento reflete, em parte, uma maior resistência dos inquilinos a aceitar novos aumentos, bem como um aumento gradual da oferta em algumas zonas, após meses de forte escassez.

Evolução desigual entre cidades portuguesas

A descida das rendas a nível nacional não foi transversal a todas as cidades. Em várias capitais de distrito, os preços continuam a subir, refletindo realidades locais distintas, níveis de procura ainda elevados e dificuldades persistentes do lado da oferta.

As maiores subidas anuais registaram-se em Setúbal (11,9%), Leiria (11,3%) e Viana do Castelo (11,1%). Também houve aumentos relevantes em cidades como Faro, Ponta Delgada, Coimbra e Santarém, onde a procura continua a superar a oferta disponível.

Em sentido contrário, algumas cidades apresentaram descidas mais visíveis. O Porto registou uma queda de 6,3%, enquanto Castelo Branco recuou 2,1%. Em Lisboa, os preços mantiveram-se praticamente estáveis, com uma variação negativa de 0,5%.

Lisboa e Porto continuam entre as cidades mais caras

Apesar da estabilização recente, Lisboa continua a ser a cidade mais cara para arrendar casa, com um preço mediano de 21,8 €/m². A capital mantém uma forte pressão da procura, associada à escassez de habitação disponível e à concentração de emprego.

O Porto surge em segundo lugar, com 16,7 €/m², seguido do Funchal, onde arrendar casa custa, em média, 16,0 €/m². Estes valores confirmam que os grandes centros urbanos continuam a concentrar as rendas mais elevadas do país.

Mesmo com quedas pontuais, os preços nestas cidades permanecem muito acima da média nacional, dificultando o acesso à habitação, sobretudo para famílias com rendimentos médios.

Diferenças regionais ajudam a explicar a descida nacional

A análise por regiões mostra um país a várias velocidades. A Região Centro registou a maior subida anual das rendas, com um aumento de 6,4%, enquanto os Açores e o Alentejo também apresentaram variações positivas.

Em contraste, os preços recuaram no Norte (-5,3%) e no Algarve (-3,3%), contribuindo para a descida do valor médio nacional. Estas diferenças refletem níveis distintos de oferta, procura, pressão turística e dinâmica económica regional.

Nas regiões onde a oferta aumentou de forma mais expressiva, os preços tenderam a ajustar mais rapidamente, enquanto nos mercados mais pressionados a descida foi mais limitada.

O que muda para quem procura casa para arrendar

Para quem procura casa para arrendar, a descida das rendas representa um ligeiro alívio, sobretudo fora das zonas mais pressionadas. Em algumas cidades, começa a ser possível encontrar valores mais próximos da capacidade financeira das famílias.

No entanto, os preços continuam elevados em termos históricos, limitando o acesso à habitação para muitos agregados. A descida recente não elimina o problema estrutural do mercado, marcado por escassez de oferta e forte procura.

A tendência observada no início de 2026 pode indicar uma fase de maior equilíbrio, mas especialistas alertam que sem um aumento significativo da oferta de habitação, sobretudo nos grandes centros urbanos, a pressão sobre as rendas poderá regressar nos próximos meses.