A concessão de crédito em Portugal apresentou sinais divergentes em fevereiro de 2026. Por um lado, o crédito ao consumo voltou a crescer. Por outro, o crédito habitação caiu para 1.673 milhões de euros, o valor mais baixo dos últimos 12 meses, confirmando um abrandamento no financiamento para compra de casa.
No total, foram celebrados 2.515 milhões de euros em novos contratos de crédito a particulares, menos 83 milhões de euros do que em janeiro, sendo a quebra explicada sobretudo pela descida no segmento habitacional.
Crédito ao consumo cresce e supera 769 milhões de euros
O crédito ao consumo atingiu 769,4 milhões de euros em fevereiro, distribuídos por 134.697 contratos, o que representa um aumento de 21,2 milhões de euros face ao mês anterior, apesar de terem sido celebrados menos 3.432 contratos.
Em termos de dinamismo, o montante acumulado dos novos contratos registou uma taxa de variação homóloga de 10,8%, evidenciando crescimento face ao mesmo período do ano anterior.
O crédito pessoal destacou-se como o principal motor deste aumento, com o montante contratado a subir para 353,4 milhões de euros, mais 39,9 milhões de euros do que em fevereiro de 2025. Também o número de contratos aumentou, com mais 3.288 operações em termos homólogos.
Crédito renovável domina contratos, mas tem custo mais elevado
O crédito renovável foi responsável por 49,9% do total de contratos, ou seja, 67.204 operações, assumindo-se como a categoria mais relevante em número.
Contudo, representou apenas 14,2% do montante total, com 109,4 milhões de euros, refletindo valores médios mais reduzidos por operação.
Este tipo de financiamento continua a apresentar o custo mais elevado, com uma TAEG de 18%, acima do crédito pessoal (12,0%) e do crédito automóvel (10,4%). A taxa de utilização situou-se em 26,8%, indicando a proporção efetivamente usada do crédito disponível.
Já o crédito automóvel manteve valores elevados, com 284,7 milhões de euros em 17.517 contratos, e um valor mediano de 14.857 euros, o mais elevado entre os segmentos. A duração média foi de 7,5 anos, sendo mais curta nos veículos novos.
Crédito habitação recua e juros estabilizam
Em sentido inverso, o crédito habitação caiu para 1.673 milhões de euros, menos 120 milhões de euros do que em janeiro, atingindo o nível mais baixo em um ano.
As renegociações também recuaram para 534 milhões de euros, após terem atingido 565 milhões no mês anterior.
A taxa de juro média das novas operações e renegociações fixou-se em 2,83%, ligeiramente abaixo dos 2,84% registados em janeiro. Este valor permanece muito inferior aos máximos de 4,31% em 2023, indicando uma estabilização do custo do financiamento.
Taxa mista domina novos contratos e prestação continua a subir
A maioria dos novos contratos de crédito habitação foi celebrada a taxa mista, representando 76% das operações. Neste regime, a taxa inicial fixa foi, em média, de 2,71%.
Já a taxa fixa subiu para 3,72%, enquanto a taxa variável se situou em 2,85%, refletindo diferentes estratégias de financiamento por parte das famílias.
Apesar da estabilização dos juros, a prestação média mensal continuou a aumentar pelo sexto mês consecutivo, atingindo 422 euros, mais 1 euro do que em janeiro.
Mercado mostra tendências opostas no consumo e habitação
Os dados mais recentes evidenciam um mercado de crédito com comportamentos distintos. O crédito ao consumo mantém uma trajetória de crescimento, impulsionado sobretudo pelo crédito pessoal, enquanto o crédito habitação revela sinais de abrandamento.
Num contexto em que a taxa de juro continua a influenciar o custo do financiamento, a evolução destes dois segmentos deverá continuar a refletir a capacidade financeira das famílias e as condições económicas nos próximos meses.